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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Paraibano Herbert Vianna faz 50 anos nesta quarta-feira


No último fim de semana (30/04) a Rádio CBN apresentou uma reportagem especial dedicado ao cantor, compositor e guitarrista Herbert Vianna, às vesperas de completar 50 anos (04/04/2011). Acompanhe.

Reportagem - CBN - Os 50 anos de Herbert Vianna - 01052011 by joaocarlossantana

Herbert Vianna, um dos nomes mais importantes da história do rock brasileiro, completa 50 anos nesta quarta-feira (4) em plena atividade.

O cantor, compositor e guitarrista nascido em João Pessoa (PB) está lançando com os Paralamas do Sucesso o CD/DVD Multishow Apresenta Brasil Afora Ao Vivo.

O grupo, que está em vias de comemorar 30 anos na ativa e também inclui Bi Ribeiro no baixo e João Barone na bateria, logo cairá na estrada para divulgar o novo trabalho.

Chega a ser quase um milagre Vianna comemorar 50 anos, se levarmos em conta que, em fevereiro de 2001, ele sofreu um grave acidente após uma queda de asa delta, no qual morreu sua mulher, Lucy Needhan.

Ele ficou paralítico e hoje precisa usar cadeira de rodas para se locomover, mas felizmente recuperou a memória e conseguiu voltar a cantar e tocar.

Os Paralamas lançaram seu primeiro álbum, Cinema Mudo, em 1983. O estouro veio com O Passo do Lui (1984), que inclui o hit Óculos.

Sua excepcional performance na histórica primeira edição do Rock In Rio, em janeiro de 1985, os consagrou de uma vez por todo o país.

Sua impecável mistura de rock, reggae, ska, ritmos brasileiros e música africana se tornou um dos destaques do rock brasileiro surgido na década de 80.

Vianna também gravou três ótimos discos solo, Ê Batumaré (1992), Santorini Blues (1997) e O Som do Sim (2000), este último com participações especiais de Cassia Eller, Zélia Duncan e Fernanda Takai, entre outros.

Em comemoração ao aniversário do cantor, compositor e guitarrista dos Paralamas, o baterista João Barone escreveu um depoimento no site oficial da banda. Leia abaixo um trecho:

"Quando a gente começou com Os Paralamas, nunca pensávamos em ir tão longe. Todo mundo ao redor nos alertava para as efemeridades de ser músico no Brasil. Hoje, chegamos aos 50 anos, vivenciando mais da metade de nossas vidas com a música. De onde estamos, num pit stop rápido para não esfriar os pneus, avaliamos um monte de coisas que víamos quando éramos apenas moleques. Passamos por poucas e boas, vivemos e sobrevivemos na corda bamba entre a realização pessoal, a ambição artística e o sucesso comercial.

Como sempre diz Herbert - que emplaca os 50 com a sapiência de um Mestre Jedi e o gás de um guri - estamos começando um novo ciclo de 50 anos..."

terça-feira, 19 de abril de 2011

Roberto Carlos: o eterno rei aos 70 anos


Talvez Roberto Carlos Braga seja o mais humano de nossos reis. Teve uma perna esmagada em acidente de trem na infância, sofreu com as perda de sua mãe e a esposa Maria Rita, ambas de maneira lenta e dolorosa; e no fim de semana, deu adeus a uma enteada que criou como filha. E em nenhum momento perdeu a majestade que, com os 70 anos completados nesta terça-feira (19) só dá mostras de que vai atravessar incólume os tempos. Ele passou reto como uma flecha pelo tropicalismo, bossa nova, punk e new wave. Aqui, inalcançável como um rei sobrehumano de literatura infantil.

E ainda há quem o critique. Aponte o alcance de sua voz como muito baixo, as melodias simplistas, as letras pobres. Mas onde há pobreza no verso "Se chorei ou se sofri/o importante é que emoções eu vivi" se foi algo que ele sentiu na carne e expõe para todos nós há meio século?

As emoções começaram em Cachoeiro do Itapemirim, interior do Espírito Santo, quando Laura Moreira Braga deu à luz seu quarto e último filho com o relojoeiro Robertino Braga. A música esteve intrinsecamente ligada à família, já que foi Dona Laura a dar os primeiros passos ao filho ensinando-lhe violão e piano. A educação formal veio no Conservatório Musical da cidade. Precoce, a primeira apresentação pública foi ao snove anos, na Rádio Cachoeiro. Como prêmio, ganhou um punhado de balas.

Essa foi a primeira grande vitória depois de um trauma violento. Três anos antes, Roberto brincava com uma colega de escola, Fifinha, na plataforma da estação de trem. Uma locomotiva aproximou-se. A professora que os acompanhava puxou a menina. Ele não teve a mesma sorte e cai, tendo a perna direita esmagada e amputada um pouco abaixo do joelho. Até os 15 anos, idade em que usou a primeira prótese, andou com a ajuda de muletas.



RIO - Nada que acabesse com seu sonho. Na metade final da década de 1950 mudou-se para o Rio de Janeiro, mais precisamente a cidade de Niterói. Foi lá que travou conhecimento com a maior revolução músical do século passado, o rock and roll. Em 1957, formou a primeira banda, chamda de The Sputniks, referência ao satélite soviético lançado ao espaço naquele mesmo ano. Na turma de amigos que gravitava em torno das bandas da época, estava Erasmo Carlos, futuro parceiro musical do Rei.

Quando os Sputniks encerraram sua breve carreira, Roberto iniciou a carreira solo que perdura até hoje. Cantava em clubes, festas e hotéis até Carlos Imperial convidá-lo para o programa Clube do Rock, na TV Tupi. Ali começaram as gravações de compactos que culminaria no primeiro álbum, Louco Por Você, de 1961.

O marco inicial, porém, veio no ano seguinte. Splish Splash, composta com Erasmo e que também deu nome ao LP o alçou a ídolo da juventude. Seguiram-se Parei na Contramão, O Calhambeque e É Proibido Fumar. Hoje, todos clássicos. A imagem do cantor e, claro, de suas músicas, ganharam ainda mais força com o programa Jovem Guarda, de 1965 ao lado de Erasmo (O Tremendão) e Wanderléa (A Ternurinha).

No ano seguinte, sua amizade e trabalho com Erasmo sofreu o primeiro abalo. Um programa em homenagem a Erasmo creditava a autoria de Parei... e Quero Que Vá Tudo Pro Inferno unicamente a ele. Por mais de um ano foi cada um para seu lado. Mesmo sem sua melhor metade, a inspiração de Roberto não tinha fim e o Rei deu ao mundo Quando, Como é Grande o Meu Amor Por Você, Por Isso Corro Demais, Querem Acabar Comigo e Namoradinha de um Amigo Meu. Além delas, versões de Esqueça (Roberto Corte Real), Negro Gato (Getúlio Côrtes) e Nossa Canção (Luiz Airão).

A colaboração com o Tremendão voltou por conta do filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, de 1967. Roberto não conseguia terminar a letra de Eu Sou Terrível. Apelou para o parceiro, que o ajudou e os dois voltaram às boas.

VIRADA - Já perto dos 30 anos, o cantor iniciou a grande virada de sua carreira. O álbum "Roberto Carlos", de 1969 foi o marco inicial da verve romântica que o acompanharia ao longo das décadas seguintes. Foi naquele bolachão que estavam gravados Sua Estupidez e As Curvas da Estrada de Santos. Mesmo com um novo rumo sendo traçado, ainda havia tempo para o segundo filme ainda como alvo a juventude: Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa e o mesmo sucesso de Ritmo de Aventura.

Nos anos 1970, o rock no resto do mundo já ganhara contornos mais adultos, tanto no comportamento dos artistas quanto na pluralidade de sons desbravados. Se essa complexidade musical não chegou ao Rei, ao menos deixou sua obra mais adulta, o que para os detratores seria futuramente chamado de brega ou cafona. Rótulos à parte, foi durante esse período que ele marcou seu nome definitivamente na Música Popular Brasileira.

O ano de 1971 marcou seu último filme - Roberto Carlos a 300km por Hora. O ciclo adolescente estava definitivamente fechado e esse mesmo ano teve outro disco, novamente chamado Roberto Carlos, como todos os subsequentes. O álbum é um verdadeiro desfile de hinos: Amada Amante, Todos Estão Surdos, Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos (homenagem a Caetano Veloso) e Como Dois e Dois (do próprio Caetano). Isso sem falar em Detalhes, talvez seu maior sucesso.

Uma nova mudança na carreira veio acontecer novamente em 1974, na véspera do Natal. A Rede Globo convidou o cantor para fazer um especial. O sucesso foi tamanho que até hoje é item obrigatório na grade da emissora carioca. O final da década marcou uma popularidade estrondosa. Os álbuns, religiosamente lançados todo ano, vendiam entre um milhão e um milhão e meio de cópias. Os shows, sempre com lotação esgotada. De triste, o fim do casamento com Cleonice, que lhe deu Rafael, Roberto Carlos Segundo e Luciana - além de Ana Paula, filha do primeiro casamento de Nice, mas que ele considerava como filha legítima.


Se no Brasil, Roberto Carlos já virara uma instituição, a década de 1980 marcou o reconhecimento fora do País. Ganhou o Prêmio Globo de Cristal. Seguiu-se um Grammy de Melhor Cantor Latino em 1988. As duas décadas seguintes - 1990 e 2000 - marcaram a superação de recordes de vendagens. Em 1994 superou os Beatles como artista que mais vendeu na América Latina. Superou a marca de 70 milhões de cópias - no total, já superou a barreira dos 100 milhões.

Em 1995, casou-se novamente - estava separado da atriz Myriam Rios desde 1989. A "rainha" se chamava Maria Rita Simões. Em 1998, Rita teve diagnosticado um câncer, que agravou-se até o ano seguinte, chegando por fim a tirar-lhe a vida em dezembro de 1999. Por isso, naquele ano não houve disco nem especial da Globo.

A perda da companheira só o fez voltar aos palcos em novembro de 2000, tendo o Recife como palco da nova turnê. Em 2001 refez os arranjos de algumas músicas para a gravação do Acústico MTV, outro grande sucesso. Na década seguinte manteve o ritmo normal de shows e turnês. Em outubro do ano passado perdeu a mãe, Laura, aos 96 anos. Mesmo assim, encontrou forças para um grande show na praia de Copacabana, no dia de Natal.

HOMENAGENS - A sólida carreira fez Roberto Carlos receber diversas homenagens ao longo dos anos. Em 1994, um time de músicos gravou o cd Rei, todo com regravações do cantor. Skank (É Proibido Fumar), Barão Vermelho (Quando) e Chico Science e Nação Zumbi (Todos Estão Surdos) eram algumas das estrelas.
No entanto, o maior reconhecimento viria justamente no ano de seu 70º aniversário. A escola de Samba Beija-Flor escolheu o cantor como enredo para o Carnaval. Intitulado "A Simplicidade de um Rei", o carnaval da agremiação faturou seu 12º título, que contou com o homenageado no desfile.

sábado, 16 de abril de 2011

Caetaneando Caetano...

Adriana Calcanhotto já fez música se deliciando na degustação de cada parte sua; Djavan criou o verbo "caetanear" no meio de sua "Sina" e a própria Maria Bethânia, em meio a seus shows e profusões de divindades, cita-o como uma espécie de semideus junto a seus tão poderosos orixás. Caetano Veloso, um outrora tímido rapaz que, graças à oportunidade de se apresentar ao Brasil (feita pela irmã Bethânia), pôde mostrar que tinha muito mais a dizer e ser ouvido e hoje se consagra como um dos maiores compositores já existentes, com uma relevância indescritível para a música brasileira - e com reflexo nas de outras nações também.

Caetano tem um percurso muito único na música popular brasileira. Criou hinos de revolta política panfletária; fundou movimentos musicais (Tropicalismo); fez com Gilberto Gil uma das parcerias mais intelectuais e afinadas em termos de composição, e, unindo ainda sua irmã e Gal Costa (as cantoras que mais lhe interpretaram, até hoje), compôs o quarteto hippie dos anos 70 "Doces Bárbaros", conquistadores de público e crítica. A partir da década de 80 proliferou-se no exterior, tendo sua música alcançado diversos países. Isso, é claro, sem contar a infinidade de músicas que se popularizaram como hits em coletâneas, filmes, novelas...

Alguns torcem o nariz pra seu jeito de agora, mais "soberbo" ou sem tanta paciência. Outros, contudo, constatam: o cara tem uma opinião que vale ouro. Passou pelo crivo de Caetano, pode esperar que é coisa boa. Abençoa novatos, opina com propriedade sobre trabalhos de colegas. É ser chique, ser cult, é demonstração de nível elevado mostrar que gosta do compositor e que acata suas opiniões como fiéis seguidores da escola 'boa cultura de ser", tendo o baiano como referência intelectual. Uma espécie de religião Caetano que, como as doutrinas religiosas, provoca polêmicas e não consegue fidelizar todo mundo, mas que ainda assim tenta, de tempos em tempos, convocar mais seguidores...

Eu me situo no cantinho mais confortável e contemplador da parte de cima do muro. Gosto dele, acho que tem talento e capacidade de criar coisas que acabam se tornando lendárias, mas também vejo que existe gente com tanto talento quanto, o que dismistifica essa coisa de "Deus". Admiro bem mais sua trajetória e prefiro os hinos da época da ditadura e de todos aqueles anos difíceis do que escutá-lo, hoje, dando suas declarações bombásticas sobre assuntos diversos (política, no topo). É aquela coisa: gostava mais do moço quando "fazia". Língua ferina todos nós temos...

Fiquemos então, pois, com um dos pontos mais fortes do cantor. A música "Alegria Alegria" enfoca elementos culturais do exterior e pincela em pontos beligerantes tão críticos naquele tempo (década de 60). Provocou, quando foi apresentada (1967, num dos grandes festivais típicos da época) uma estranheza inicial e um discreto sentimento xenófobo, mas que logo foram substuídos pela "alegria' propriamente dita. É uma música totalmente cinematográfica - "letra-cãmera-na-mão" como bem definiu Décio Pignatari. Fora ainda dos marcos iniciais do tropicalismo e tema de abertura da novela Sem Lenço Sem Documento (1977) e da minissérie Anos Rebeldes (1992). Vamos então à letra e ao vídeo, para que tirem vocês mesmos as próprias conclusões sobre o que Caetano de fato representa.


sábado, 9 de abril de 2011

A Musicalidade Regional de Sandra Belê


Com o propósito de valorizar nossa boa música regional e brasileira, o Acervo Musical destaca a cantora paraibana Sandra Belê.  Com dissemos por aqui, essa menina é arretada de boa... é tudo de bom que ultimamente surgiu na musicalidade paraibana, nordestina e brasileira. Verdadeiramente ela veio enriquecer nosso cancioneiro popular como também nossa cultura. Além ser dona de uma voz maravilhosa, dança com trejeitos próprios de uma forma que nos faz sentir muito mais a mensagem musical.

Com certeza logo, logo o Brasil conhecerá essa magnífica artista paraibana e todos irão se apaixonar, pois o que é bom é assim: amor a primeira vista. Então vamos conhecer um pouco mais dessa artista genuinamente paraibana.

Entre os anos de 2004 e 2005 Sandra Belê gravou o Cd Nordeste Valente, o primeiro de sua carreira. Um ano depois se encontrava na cidade de Taperoá, cariri paraibano, onde participou como atriz-cantora das gravações da minissérie global A Pedra do Reino, do escritor Ariano Suassuna. Com o Cd Nordeste Valente ela participou da coletânea de músicas da Pedra do Reino, organizada pela Som Livre e da coletânea do Projeto Esquina Brasil, organizada pelo SEBRAE, entre outros. Tem estado presente no mercado cultural da cidade do Recife, Campina Grande, João Pessoa e na região do Cariri Paraibano, através de eventos populares e institucionais. No ano de 2008 Sandra Belê participou do projeto Sete Notas do Sesc Centro de Campina Grande, interpretando o compositor cajazeirense chamado Zé do Norte , surgindo assim o show “Sandra Belê canta Zé do Norte. No mês de agosto, também no projeto Sete Notas a cantora realizou o show “João do Vale - O Poeta do Povo”.

No ano de 2009 lançou o CD intitulado “SE INCOMODE NÃO”, que apresenta o universo romântico do povo nordestino através dos ritmos do xote, arrasta-pé, xaxado, baião e forró, repleto de músicas para dançar, como as tradicionalmente presentes nos repertórios de Luiz Gonzaga, Alcimar Monteiro, Trio Nordestino, Marinês, Gordurinha, Três do Nordeste, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro e também no repertório dos novos intérpretes e compositores nordestinos como Marrom Brasileiro, Ranjel Júnior, Carlos Zens, Ilmar Cavalcante, Antônio Costa, Xico Bezerra e muitos outros.

Entre os anos de 2010 e 2011, a cantora gravou seu terceiro CD, intitulado “Encarnado Azul”, onde o mesmo está saindo da fábrica trazendo lembranças de pastoris ao som de violão, sanfona, bateria, trompete, percussões de efeito, viola, cavaquinho, vocais e um show de contemporaneidade.

“A vivência com reisados, pastoris, aboios, benditos, romances e forrós proporciona a Sandra Belê uma interpretação singular, da qual surge a forte identidade que carrega na voz quando interpreta as encantadoras obras do cancioneiro nordestino. Zabelê, cidade do Cariri paraibano, foi seu berço de ouro, lá nasceu, cresceu e aprendeu a admirar as paisagens, os cheiros e os sons duma terra árida, porém fértil para as mais variadas formas de sobrevivência.”

Conheça um pouco mais dessa nossa artista, em entrevista ao jornalista Saulo Queiroz.
 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Saudades do eterno Mussum dos Trapalhões

Antônio Carlos Bernardes Gomes, o mais trapalhão dos trapalhões, completaria 70 anos nesta quinta-feira.

Se estivesse vivo, Antônio Carlos Bernardes Gomes comemoraria 70 anos de idade nesta quinta-feira (7). Não conhece? Como não, cacildis!? Isso mesmo, no dia 7 de abril de 1941 nascia o mais trapalhão dos trapalhões, o mais original dos originais, o mais carioca dos cariocas.

Mussum criou seu próprio sotaque e dialeto. Por isso, a origem fluminense não é tão lembrada. Porque ele não reproduzia sotaques. Até hoje, ele é incansavelmente copiado, sempre que se quer dar um tom de irreverência para alguma coisa. Mussum era, e ainda é, a irreverência.

O que não é sabido por todos é que, antes do sucesso no humorístico com seu amigo Renato Aragão, Antônio Carlos Bernardes Gomes já tinha certo reconhecimento com o grupo Os Originais do Samba. Podia ainda não ser um trapalhão, mas, com certeza, já era e sempre será o Mussum!

Sem estimular, é claro, mas hoje é dia de tomar um e dar uma pindureta!

Para matar a saudade veja Mussum & Os Originais do Samba no programa Trama Radiola


hl.com

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Literarura de Alceu...


As letras que Alceu Valença compõe para suas músicas têm vida própria, quando simplesmente lidas? Ou somente adquirem significado se acompanhadas de sua música? Noutras palavras: quem faz letra de música faz literatura? Na realidade, quero tratar o tema através de uma outra abordagem. A presença da literatura em sua obra, presença essa farta e visível.

Ao longo dos seus discos, a marca constante: a presença de autores populares e eruditos, citados em suas canções ou homenageados nas dedicatórias. O interessante é destacar que Alceu venera e homenageia desde os poetas populares, aqueles que percorriam as ruas de sua infância com seu canto de improviso, aos intelectuais mais reconhecidos.

De Buñuel a Mocinha de Passira

Ora é um cineasta, como Luis Buñuel (in La Belle de Jour e in Maracajá), ou um naturalista, como Augusto Ruschi (in Espelho Cristalino), ora um companheiro de ofício, como Raul Seixas (in Bicho Maluco Beleza), João do Vale (in Cabelo no Pente), Luiz Vieira e seu menino passarinho (in Eu Te Amo), Jackson do Pandeiro e Ari Lobo (in Fé na Perua) e Luiz Melodia (in Maria Sente).

Essa reverência passa pelos cantadores populares, tais como Dimas, Vitorino, Pinto do Monteiro, Lourival - o Louro do Pajeú -, Oliveira, Castanha, Beija-Flor e Mocinha de Passira (in Martelo Agalopado), cada um deles o "cantador do inconsciente coletivo, canta a força do povo e o desengano", no dizer de Alceu, pois têm "os pés calejados dos ciganos e (são) poetas perfeitos e soberanos", levando sua arte do verso improvisado à praça.

Noutros instantes Alceu se volta para o elogio aos animadores da cultura popular como Bajardo, "O pintor de Olinda" (in Bicho Maluco Beleza), Cacho-de-Coco (in Sou Eu Teu Amor), Mãe Nina (in Ciranda da Mãe Nina) e Dona Santa do maracatu (in De Onde Vem?). Percorre as canções de autoria do povo nordestino, incluindo-as em sua música, e busca a inspiração em personagens que povoam a cultura popular, sejam reais como o Capitão Corisco, anônimos como o "velho safado" do Pastoril, ou fictícios, tais como Viramundo, Pedro Malazartes, João Grilo, Cancão de Fogo...

Às vezes, como um Zé Limeira redivivo, semeia citações de pessoas que marcaram o seu mundo - quem sabe, o mundo de todos nós: Neil Armstrong e sua caminhada na lua (in Seixo Miúdo), os apóstolos Pedro e Paulo (in Pontos Cardeais), Guevara, Camilo e Sandino, com seu "sonho libertário" (in Romance da Bela Inês) e Luiz Carlos Prestes, o velho cavaleiro montado em sua utopia (in Pra Clarear), Maurício de Nassau (in O Carnaval de Minha Janela), Calabar, John Lennon, Charles Chaplin, Tiradentes, Frei Caneca e Virgulino, o Lampião (in Maria Sente).

Parceria com Poetas

Mas Alceu também passeia pelo erudito e são muitos os intelectuais, aqueles dos livros - além dos da rua e do imaginário - que perpassam sua obra. Seja quando Alceu faz poesia com os nomes das ruas do Recife e de Olinda, que são as ruas da infância do poeta Manuel Bandeira, seja quando se declara um Dom Quixote liberto de Cervantes (in Agalopado).

São muitos os autores e várias as citações: João Cabral de Mello Neto (in Cana Caiana), Carlos Drummond de Andrade (in Pra Clarear e in Maracajá), Camões (in Romance da Bela Inês e in Maracajá), Fernando Pessoa (in Maracajá), Mário Quintana (in Senhora Dona), Jorge Amado (in Chuva de Cajus), Ulisses (in Anjo de Fogo) e Mário de Andrade e seu delicioso Macunaíma (in Que Grilo Que Dá - Rock de Repente).

Mas dois poetas têm um espaço privilegiado na obra de Alceu Valença. Transformaram-se, embora ja mortos, em parceiros preferidos. Um é Ascenso Ferreira, que proporcionou a Alceu o seu primeiro sucesso nacional, ainda nos primórdios da carreira (1972) e que teve outro poema seu musicado (Vou Danado Pra Catende e Maracatu). Outro é Carlos Penna Filho, cujos poemas inspiraram também duas canções a Alceu: Solibar, que transportou para a canção versos que todos os boêmios pernambucanos sabem de cór e Sino de Ouro.

Assim, discutir literatura na obra de Alceu Valença é, acima de tudo, registrar o profundo amor que ele demonstra pela cultura popular e erudita e o quanto ele coloca a sua música a serviço de artistas e intelectuais, como uma homenagem que, ao mesmo tempo, valoriza e enriquece a sua própria obra.

Por Romildo Gouveia Pinto