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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Festival de Grandes Encontros da Música Regional

Em 1996, numa época em que a música popular brasileira batalhava contra o estrangeirismo exacerbado e procurava manter-se no mapa musical do país, um ousado projeto estava prestes a se concretizar. Os primos paraibanos Zé Ramalho e Elba Ramalho uniram-se aos compadres pernambucanos Alceu Valença e Geraldo Azevedo - todos, detalhe, com uma afinidade musical muito forte entre si. Desta reunião nasceu o arrojadíssimo disco "O Grande Encontro", que nada mais é do que a junção de grandes sucessos de cada um, além de músicas que adoravam em comum acordo, num entrosamento impressionante.

A junção de vozes e violões rendeu um show conceituadíssimo no Canecão, e o registro vendeu nada menos do que 1 milhão de cópias e se firmou como repertório essencial de uma época! Clássicos como Sabiá, Dia branco, O amanhã é distante, Admirável gado novo, O trem das sete (Raul Seixas), Chão de giz (Elba eternizou e fez dessa um de seus maiores hits até hoje) , Veja, Chorando e cantando, Banho de cheiro e Frevo Mulher fizeram parte do delicioso repertório.

O sucesso surpreendeu todos os envolvidos - sejam os próprios protagonistas, como também os produtores e o público. Como é tendência na música brasileira, tudo o que faz sucesso requer uma continuação - o gostinho de quero mais aliado à vontade de faturar aqui também se fez presente e decidiram lançar uma continuação. Alceu Valença, entretanto, fazendo jus a seu ego temperamental, pulou fora do barco. Os três seguiram com um disco que dessa vez foi gravado em estúdio. O Grande Encontro II (1997) fez mediano sucesso e contou com hits como Disparada, O princípio do prazer, Eternas ondas, Bicho de sete cabeças, Canta coração, Canção da despedida e Ai que saudade d´oce. Mas Alceu inegavelmente fez falta e o fato de não ser um registro "ao vivo" deixou um semblante bem menos pessoal.

Já o terceiro e último encontro foi lançado no ano 2000, novamente com Elba, Zé e Geraldo apenas. Um belo e correto disco, sem os clássicos eternizados no anteriores, mas pelo menos valeu por ser novamente um registro ao vivo. O inusitado foi fazer o encontro do trio se estender a novos convidados, como Lenine, Morais Moreira e Belchior. O repertório privilegiava mais a carreira de Zé e Geraldo, porém não teve hits da de Elba, que aceitou e venceu o desafio de impostar sua voz e composições ate então inéditas para ela! (Destaque, na opinião de TH, pra sua parceria com Lenine, em "Lá e Cá"). Os arranjos tem mais nuances que os discos anteriores e realçam com firmeza os vocais dos nordestinos, fechando sim com chave de ouro a trilogia clássica.

A música brasileira é tão vasta que se desdobra em vários segmentos. E cada um com seus mais poderosos representantes. Falar de música nordestina sem citar este excelente capítulo retratado nesses três discos é classificá-la de maneira rasa e insubsistente. Elba Ramalho, nossa artista do mês, em meio a sua vasta discografia, não pode nunca deixar de lembrar o quão foi feliz por ter sido a poderosa voz feminina em meio a tantos "machos cabras da peste" gênios e bastante musicais como seus companheiros desta série.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Mosaico Contemporâneo e Musical de Beatrice Mason

Por Bruno Negromonte

A carreira de advogada bem-sucedida em New York não foi o suficiente para completá-la; dessa forma, Beatrice (a última sílaba se pronuncia como o nome do revolucionário “Che” Guevara) Mason não hesitou e foi em busca daquilo que realmente ansiava; isso tudo resultou em um álbum composto por um mosaico de estilos e compositores contemporâneos.

Não muito tempo atrás a carioca descendentes de alemães e italianos Beatrice Mason exercia a carreira de advogada nos Estados Unidos e vivia acerca de processos jurídicos diversos envolvendo o mercado de capitais, fusões e aquisições. Sua lida era usar da jurisprudência, e isso consumia praticamente todo o seu tempo, sufocando aquilo a que realmente tinha paixão.

A mudança desta rotina cansativa só se deu quando veio a gravidez e junto com ela uma licença. O tempo que até então não existia por conta dos afazeres profissionais deu lugar a outra qualidade de vida com a inserção da música em sua vida. Esse "ócio" tornou-se extremamente produtivo quando Beatrice o aproveitou para "reatar" com o seu antigo love affair: a música. Era uma complicada e difícil escolha, mas Beatrice já estava decidida em trocar em definitivo a promissora carreira de advogada pela carreira de cantora. Depois de decidida retomou as aulas de instrumentação, canto e idiomas.

Mason iniciou as aulas de flauta doce e canto na Associação Canto Coral quando tinha apenas seis anos, foi nesse período que passou a cantar no Coral Curumim sob a regência de Elza Lakschewitz (que depois a levou para o coro infantil do Theatro Municipal) e também no coral do Colégio Cruzeiro, que tinha como regente a sua mãe Heidi, que tornou-se (juntamente com o pai) a responsável pelo ouvido da cantora ter se habituado desde pequena à música erudita entressachado com as canções que vinham do rádio de Alzira, a doméstica que na residência de Beatrice não se cansava de ouvir os grandes nomes da MPB. Ainda na infância, Beatrice estudou canto erudito com Vera Canto e Mello, e popular, com Paula Santoro e Felipe Abreu. Além de ter estudado também teoria musical e piano. Vale salientar que foi no período do Theatro Municipal que acabou conhecendo o hoje amigo e compositor Eduardo Krieger além de ter sido também nessa época que participou da montagem de algumas óperas como Carmen, La Bohème e Werther.

Os anos se passaram e a adolescência chegou, a música nesse período já se fazia bastante presente no cotidiano da jovem Beatrice, pois além das aulas de canto ela simultaneamente começou a pôr em prática seus aprendizados em uma orquestra de flautas e em um trio barroco do instrumento de sopro. A música, tanto a lírica quanto a erudita, nunca deixaram a já crescida Beatrice. Só quando adulta foi que a música perdeu espaço para o curso de direito e posteriormente para a profissão de advogada na rotina de Mason. Isso até o dia em que aconteceu tudo aquilo que citei antes.

Sua estreia profissional se deu em meados de 2005 no palco do Mistura Fina com o show "Coração tranquilo", com a ajuda da também, na época, iniciante Roberta Sá e sob direção de Cyro Telles que foi apresentado a Mason por Roberta. Em seguida, dois anos depois veio o segundo espetáculo dirigido por Carlos César Motta e intitulado "Alumbramento". Desse show em diante ela veio conquistando não só a admiração do público, mas também elogios da crítica especializada.

Em 2010, depois de acumular anos de experiência em seu dia-a-dia enquanto artista, Beatrice resolve registrar todo esse "know-how" adquirido em disco, aventurando-se de maneira pra lá de audaciosa com um álbum diferente e livre de clichês. Essa espera de cerca de 05 anos para o primeiro registro fonográfico foi válida, trouxe o resultado da rotina de aprendizados que a vida se encarrega de nos presentear, é algo semelhante ao que o escritor francês Proust certa vez escreveu:"Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem", talvez só por isso foi que meia década depois Beatrice resolveu aventurar-se pelo mercado fonográfico lançando o cd "Mosaico"(que pode ser adquirido clicando na imagem da capa presente aqui nesta matéria).


 
Tudo começou a princípio de maneira independente, próximo ao término da produção ganhou a parceria do selo do Centro Cultural Carioca Discos e, depois de pronto, teve a distribuição pela Universal. O mais marcante do álbum é que ele foi concebido de maneira que não faz a linha comercial e dentre as características que levam a isso está a ausência de canções e compositores mais convencionais de nossa música e nenhum grandes sucessos popular (que geralmente é a principal característica que se recorre quando se quer apresentar um trabalho com a finalidade comercial). O álbum é uma excelente amostra dessa nova trilha que a música popular brasileira vem seguindo nessa oxigenação que se faz necessária a partir de compositores contemporâneos e intérpretes talentosas como é o caso da carioca Mason. O "Mosaico" de surpresas de que o álbum da Mason é composto perpassa por características bastantes peculiares e isso é possível perceber quando partimos para a análise das faixas existentes no disco (onde há seis inéditas). E nesse ornamento contemporâneo é possível perceber o melhor da safra dos novos compositores brasileiros resultando em uma sonoridade elegante e totalmente diferente do que se tem ouvido por aí em um disco onde vários estilos se encontram, mas mesmo assim há uma requintada unidade.

O disco abre com uma bossa lounge intitulada "Samba mínimo", de autoria da compositora, arranjadora e cantora carioca Delia Fisher onde há a participação especial da harpista Cristina Braga; o álbum segue com a canção "Foi no mês que vem", composta por Vitor Ramil e gravada pelo mesmo no álbum "À beça" de 1995 (vale salientar que essa faixa conta com a participação das cantoras Antonia Adnet e Ana Clara Horta). O álbum continua com uma releitura da canção "Caramel" lançada a 15 anos atrás pela própria autora, a cantora americana Suzanne Vega. A faixa conta com a participação especial do percussionista Marcos Suzano.


 
Seguindo a ordem das faixas existentes no álbum chegamos a "Algum mistério", composição feita a seis mãos por Marcelo Caldi, Mauro Aguiar e Rodrigo Campello e que conta com a participação especial de Jr. Tostoi; a quinta faixa trata-se do canção "Oração blues", composição inédita do Pedro Luís e do Rodrigo Maranhão e que foi apresentada a Beatrice pela Roberta Sá. O ritmo que também empresta o nome a faixa se acentua pela gaita de Gabriel Grossi, o pandeiro de Suzano e o baixo de Jorge Helder; o álbum segue com outra inédita intitulada "Lilly blonde" (canção inspirada na composição de Chico Buarque e Edu Lobo chamada de "A História de Lilly Braun"), esta canção foi um mimo do amigo Edu Krieger que além de presenteá-la com essa música também participa na faixa seguinte intitulada "Canto só" (composição de Raphael Gemal) dividindo os vocais com Beatrice Mason. O álbum segue com mais três belíssimas canções: "Na beira do rio" (Chico Pinheiro e Paulo Neves), "Cortejo" uma composição da Ana Clara Horta e "O tempo do querer" de autoria da dupla Marcelo Caldi e Rodrigo Campello. A faixa que encerra o disco trata-se de uma composição do uruguaio Jorge Drexler que leva o nome de " .

Atualmente Beatrice vem apresentando a turnê do álbum. E "Mosaicos - o show" literalmente tem sido um show a parte. Sucesso de público e crítica por onde tem se apresentado, o espetáculo da Beatrice tem a assinatura da Ana Paula Bouzas na direção geral, na direção de arte quem dá a sua marca é Maira Knox; já o desenho de luz fica por conta de Marcelo Linhares. Entre as canções do espetáculos estão algumas presentes no disco dos novos compositores apresentados por Mason, dentre elas estão "Algum Mistério", "Lilly Blonde", do Edu Krieger; a bossa lounge "Samba mínimo", "Madre Tierra", "Foi no mês que vem", "Canto Só". O show também traz releituras como "Caramel", de Suzanne Vega, divertida e insinuante ao som da tuba. Entre as mais conhecidas do público, Beatrice Mason também mostrará interpretações pessoais de "Todo Amor que houver Nessa Vida", de Cazuza; "Doce Vampiro", de Rita Lee; "Índigo Blue", de Gilberto Gil, e "Hoje eu quero sair só", de Lenine. Vale a pena conferir!

sábado, 11 de junho de 2011

Antônio Barros e Cecéu: 40 anos de parceria afetiva e musical

Quando Antonio Barros e Cecéu se encontraram em 1971, desde então formaram uma parceria no trabalho musical e no amor. Passaram a compor juntos e se tornaram um casal de sucesso. Levantando a bandeira de uma forte expressão artística no companheirismo do dia-a-dia, essa dupla se transformou num paradigma da cultura popular brasileira, pois nesse decorrer são mais de setecentas obras gravadas pela maioria dos intérpretes brasileiros, alcançando popularidade até no exterior onde também suas músicas foram gravadas na Itália, Espanha, Portugal e Israel.


Raras são as pessoas que nunca ouviram as composições de Antônio Barros, incluindo aquelas feitas em parceria com a esposa, Cecéu. A dupla é referência na hora de animar um arrasta-pé e de incentivar naturalmente a participação do público, que sempre canta junto com o casal. São mais de 700 músicas e 134 regravações de 1971 a 1995, constituindo um rico acervo de clássicos nordestinos, já consagrados nacional e internacionalmente, na voz de diversos intérpretes.

Como diz Cecéu, o repertório passa pela tradição nordestina. "Bate coração", "É proibido cochilar", "Homem com H". “São clássicos bastante conhecidos. E isso é o que realmente nos satisfaz, quando vemos o público cantando todas as músicas que são de raiz nordestina”, afirmou.

Homem Com H, Por Debaixo Dos Panos, Bate Boração, como também as famosas Procurando Tu, Casamento Da Maria, Sou O Estopim, Amor Com Café, Forró Do Poeirão, Forró Do Xenhenhém, Óia Eu Aqui De Novo; são algumas das canções que fazem parte do acervo de músicas autorais dessa dupla e gravadas por expressivos nomes da MPB como Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Dominguinhos, Gilberto Gil, Alcione, Ivete Sangalo, Fagner, Gal Costa, MPB-4 e os saudosos Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Marinês.


Antônio Barros tem muitas histórias para contar, que se confundem com o próprio caminho traçado pela música popular brasileira. Nos anos 1960, ele morou no Rio de Janeiro. Na época, tocou triângulo no regional de Luiz Gonzaga e também chegou a morar na casa do ‘Rei do Baião’, na Ilha do Governador.

Em 1970, numa das viagens no navio de cruzeiro "Ana Neri" pelo litoral brasileiro, onde Antônio Barros trabalhava como contrabaixista, nasceu o sucesso "Procurando tu". A música foi gravada pelo Trio Nordestino e, depois de Antônio Barros aceitar a parceria de J. Luna – disc-jóquei baiano que ajudou a divulgar a canção no Nordeste – a composição fez sucesso e chegou a ser gravada por Ivon Curi e até Jackson do Pandeiro, entre outros músicos.

Foi também o Trio Nordestino que gravou e divulgou outras músicas de Antônio Barros, como "Corte o bolo", "Cuidado com as coisas", "É madrugada" e "Faz tempo não lhe vejo". No ano de 1974, "Vou ver Luiza", que é uma parceria com Lindolfo Barbosa, foi gravada por Bastinho Calixto, pela gravadora EMI.

O grupo "Os Três do Nordeste", por sua vez, gravou composições de Antônio Barros. O trio lançou sucessos como "É proibido cochilar", "Forró do poeirão", "Forró de tamanco" e "Homem com H". Essa última foi composta para a novela "O bem amado". No início da década de 80, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha gravaram "Estrela de ouro", enquanto "Quebra pote" foi entregue ao Trio Mossoró, e saiu pela gravadora Copacabana.


Na mesma década, Ney Matogrosso gravava "Homem com H", que se tornou um dos grandes sucessos da época. Também é nesse período que Zé Piata interpretou, pela gravadora Copacabana, o forró "Procurando tu".

Em 1981, o xote "Bate coração", parceria entre Antônio Barros e a mulher Cecéu, foi gravado ao vivo por Elba Ramalho, durante o Festival de Montreux, na Suíça. No ano seguinte, a música estourou como sucesso nacional. No decorrer da década, outras composições se tornaram conhecidas na voz de diversos intérpretes, a exemplo de "É madrugada" e "Forró do quem quer" (por Dominguinhos); "Forró da maiadeira" (por Luiz Gonzaga).

Por Syusk Santos

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Rio São Francisco é tema de novo trabalho de Geraldo Azevedo

Por Bruno Negromonte

"O grande oasis do sertão pro Brasil: É esse Rio São Francisco. Onde ele passa, realmente, ele deixa um rastro de verde, uma coisa fantástica. O rio representa a vida de uma parte muito grande do Brasil" (Geraldo Azevedo).

Desde o seu primeiro trabalho solo em 1977 que Geraldo Azevedo reverencia o rio São Francisco. Neste longíncuo trabalho Geraldo trás o rio nos versos da canção "Barcarola do são Francisco", talvez por reminiscências de sua infância em Jatobá (distrito do município de Petrolina, terra banhada pelas águas do velho Chico).

Quando adulto, mesmo geograficamente distante das águas do rio, não se distanciou poeticamente das águas do rio que divide dois municípios tão importantes para a região nordeste como Petrolina e Juazeiro. A imagem do rio e suas características peculiares sempre nortearam a inspiração de Geraldo Azevedo, tanto que com o passar dos anos e com o aumento de sua discografia, muitas foram as vezes em que o São Francisco era citado em verso e prosa. Em seus devaneio poéticos, Geraldo se imaginava pescando versos e acordes para as suas canções e letras.

Sendo assim sempre foi da vontade do Geraldo trazer para o seu público esse projeto temático sobre o rio, porém muitas foram as tentativas para que isso de fato saísse da utopia para se tornar disco de verdade. Lembro-me que esse projeto passou um longo tempo para sair do papel, pois ainda em 2009 perguntei ao próprio Geraldo por esse projeto e ele me dito que até março de 2010 o projeto sairia. Não há como negar que saiu em março, porém um ano depois.

Salve São Francisco é o seu 24º álbum contando com alguns projetos especiais como os três geraldos, por exemplo. Nesse novo álbum Geraldo convidou uma constelação de estrelas de nossa MPB para o acompanhá-lo entre as 12 canções que compõem esse belíssimo disco. Nomes como Maria Bethânia, Dominguinhos, Djavan e Ivete Sangalo fazem parte desse mítico projeto estrelado por nosso Geraldinho Azevedo (que no último dia 06 de março precisou submeter-se a um cateterismo).

As Faixas são as seguintes:
01 - Barcarola Do São Francisco (Geraldo Azevedo/ Carlos Fernando) (Com Djavan)
02 - Santo Rio (Geraldo Azevedo/ Carlos Fernando) (Com Dominguinhos)
03 - Águas Daquele Rio (Geraldo Amaral) (Com Geraldo Amaral)
04 - São Francisco São (Geraldo Azevedo/ Clóvis Nunes / Geraldo Amaral) (Com Márcia Porto)
05 - Opara (Salve São Francisco) (Geraldo Azevedo/ Clóvis Nunes) (Com Fernanda Takai)
06 - Francisco Francisco (Roberto Mendes / Capinan) (Com Roberto Mendes)
07 - Riacho do Navio (Luiz Gonzaga / Zé Dantas) (Com Alceu Valença)
08 - Carranca que chora (Geraldo Azevedo / Capinan) (Com Maria Bethânia)
09 - Petrolina e Juazeiro (Geraldo Azevedo / Moraes Moreira) (Com Moraes Moreira)
10 - O ciúme (Caetano veloso) (Com Ivete Sangalo)
11 - Saudade do vapor (Vavá Cunha) (Com Vavá Cunha)
12 - São Francisco Help (Geraldo Azevedo / Galvão) (Com Djavan, Dominguinhos, Alceu Valença, Geraldo Amaral, Fernanda Takai)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Genival Lacerda: 80 anos de muita "munganga"

No último dia 05 de Abril um dos maiores nomes da música nordestina completou 80 anos e ainda continua em plena atividade fazendo shows por todo o país.

Para cantar forró é preciso ter "tutano", como se diz em qualquer bate coxa pelas cidades do Nordeste e isso o cantor e compositor paraibano Genival Lacerda mostra aos 80 anos completados ao longo de 2011 que tem de sobra. Com o jeito simples, roupas floridas, chapéu e o famoso gingado com a mão na barriga, o campinense, nascido em 5 de abril de 1931, consolidou nacionalmente um estilo único regado a duplo sentido e humor, sendo um dos grandes nomes da cultura nordestina.

Em 1956 lançou pela Mocambo o seu primeiro disco interpretando o "Coco de 56" de sua autoria e João Vicente e o xaxado "Dance o xaxado" de sua autoria e Manoel Avelino. Em 1957, gravou de Antonio Barros o rojão "Dança do bombo" e o coco "Balança o coco". Em 1961 gravou de Rosil Cavalcânti a moda de roda "Noé, Noé" e o "Coco de roda". Em 1962 gravou a moda de roda "Vasante da maré" de sua autoria e Antônio Clemente e o "Coco de cajarana" de sua autoria e Jacinto Silva. No mesmo ano adaptou com Antônio Clemente o coco "Mariá" de motivo popular e compôs com Rosil Cavalcânti o coco "O delegado deu ordem". Em 1963 gravou de sua autoria e Antônio Clemente o coco "Cajueiro abalou" e o arrasta-pé "Tomaram o meu amor".



Em 1975 gravou com enorme sucesso "Severina xique-xique", que fez parte do LP "Aqui tem catimberê". Graças a essa composição de sua autoria e João Gonçalves vendeu cerca de 800 mil cópias. Em 1976 lançou pela Copacabana o LP "Vamos Mariquinha", interpretando, entre outras, "É aí que você se engana" de sua autoria e João Gonçalves, "Forró da gente" de Onildo Almeida, "Sanfoneiro alagoano" de Brito Lucena, "Eu preciso namorar" de Gordurinha e "A mulher da cocada" de sua autoria e João Gonçalves. No mesmo ano, gravou pela Polyfar, outro LP com seu nome como título, onde registrou, entre outras, "Esse coco é bom" de sua autoria e Genival Santos, "Ninguém vive sem amar" de Juarez Santiago, "Quero me casar" de Gordurinha e "Chegue mais pra cá", em parceria com Francisco Azulão. Em 1977, lançou o LP "O homem que tinha três pontinhos", no qual interpretou de Cecéu e Graça Góis "Gente quase boa", "Mamã" e "Segure a cabra" e de sua autoria e Luiz Santa Fé "O homem que tinha três pontinhos" e "Sacolejando". Em 1985 lançou pela RCA o LP "Caldinho de mocotó".

Em 1987 gravou com grande sucesso o LP "A fubica dela", pela RCA com arranjos e regência de Sivuca e com a participação dos músicos Sivuca e Dominguinhos no acordeom e Coroné, integrante do Trio Nordestino na zabumba. Desse disco destacaram-se as composições "É nóis aqui forrumbando" dele e Accioly Neto, "A cobra de camelô" com João Gonçalves, "Fio dental" dele e Jorge de Altinho e "Seu amor é mesmo um doce", em parceria com Cecílio Nena. Alguns de seus maiores sucessos foram "Radinho de pilha" de Namd e Graça Góis, posteriormente regravado pelo conjunto de rock "Camisa de Vênus", "Tem pouca diferença" de Durval Vieira, que ele gravou acompanhado pelo grupo Capital do Sol e "Mate o véio, mate". Com estilo satírico e picante, em cerca de 40 anos de carreira, já havia gravado 38 LPs.



Em 1999, participou do disco "Marinês e sua gente - 50 anos de forró", cantando ao lado de Marinês o "Forró do beliscão", de Ary Monteiro, João do Vale e Leôncio. Em 2000 lançou, pela gravadora CID, o CD "Genival Lacerda ao vivo", em comemoração aos seus 50 anos de carreira, contando com as participações especiais de Dominguinhos e de Osvaldinho do Acordeom, e de Durval Pereira, no zabumba, pandeiro de triângulo, em show realizado na casa de espetáculos Coringa em São Paulo. No CD estão presentes diversos sucessos de sua carreira, entre os quais "Severina Xique Xique", "Radinho de pilha", "Mate o véio" e "Caldinho de mocotó". Em 2004, foi homenageado pelos mais de 50 anos de carreira, cantando com com a cantora Clemilda, durante o IV Fórum de Forró de Aracaju no Teatro Atheneu. Na ocasião realizou um concorrido show durante o evento.

Em 2008, fez uma turnê pelos principais centros do forró nordestino, dentre os quais Aracaju, Caruaru, João Pessoa e Juazeiro. Essa turnê deu origem, no mesmo ano, a um documentário "É tudo verdade - O Rei da Munganga". O filme, que acompanha Genival na sua mais recente viagem pelo nordeste, teve produção, roteiro e direção de Carolina Paiva, e contou com a participação especial da Orquestra Sinfônica Jovem do estado da Paraíba, que acompanhou o cantor em algumas músicas. Durante o documentário, que foi dedicado à memória de Marinez, sua ex-esposa, são tocados sucessos como "Severina Chique-Chique", do prórpio Genival Lacerda; "Maristela", de Pinto do Acordeon; e "Minha origem".


Até o final do ano, Genival que acumula mais de 23 CDs, 49 LPs e dezenas de compactos simples e duplos, deve lançar um novo disco com 18 canções de Luiz Gonzaga, uma das suas principais influências ao lado de Jackson do Pandeiro, Luiz Vanderlei e Luiz Vieira. Aos 80 anos, Genival tem dois sonhos: ver o filho, o cantor e compositor João Lacerda, com o trabalho consolidado no forró; e continuar cantando. Quem ainda nunca ouviu 'Mate o Véio', 'Galeguim do Zoio Azul', 'De quem é esse jegue?, 'Radinho de Pilha', 'O Chevette da Menina', 'Caldinho de mocotó' talvez saiba até muito, mas não sobre a cultura popular do Nordeste e um dos seus maiores ícones.
 
Por Wagner Lima

terça-feira, 10 de maio de 2011

Diário da Música: Cassiano

Com a colaboração da pesquisadora Beth e do amigo jornalista musical platônico Thiago Henrick, estaremos a partir de hoje e, a cada semana, postando mais uma seção em nosso blog. Trata-se do Diário da Música, que traçará um perfil dos grandes nomes de nossa música nacional e regional, cada um com suas pecualiaridades. Vale a pena conferir.

E, para começar, falaremso de um músico, compositor e cantor paraibano pouco conhecido: CASSIANO.

No começo dos anos 70, uma trupe de cantores negros brasileiros que adoravam a música dos cantores negros americanos chacoalhou o show biz nacional.

Eles ostentavam enormes cabeleiras black power e recheavam suas letras de palavras como "beibé" ou "bróder", que roubavam do inglês e aportuguesavam. Por outro lado, nunca deixaram de incluir em suas composições elementos como uma boa cuíca ou uma levada de baião.

Desse cruzamento, nasceu uma soul music brasileira, de inegável qualidade. Em pouco tempo, porém, o gênero se viu espremido entre a MPB conservadora e a novidade do tropicalismo.

Alguns o hostilizaram. Outros o vampirizaram, sem que seus artistas recebessem o devido crédito. Quase trinta anos depois, o disco Coleção, lançado em 2000, é o principal testemunho do brilho da soul music nacional.

O disco Coleção e reune catorze criações do cantor e compositor Cassiano, maior expoente dessa tendência musical, ao lado de Tim Maia e da Banda Black Rio.

Cassiano, uma dos grandes nomes da soul brasileira. Grande cantor, instrumentista versátil e um compositor genial. Cassiano atingiu seu auge em meados dos anos 70, quando "A Lua e Eu" foi incluída na trilha sonora da novela "O Grito", da Rede Globo.

Na época, o programa Fantástico, da mesma emissora, dedicou-lhe um clipe, em que ele aparece como uma espécie de Marvin Gaye tropical, desfilando de terno branco na orla carioca.

Foi onde o Brasil aproximou-se de Marvin Gaye, Stevie Wonder, Isaac Hayes e Curtis Mayfield – da soul music de linhagem nobre, com sofisticação jazzística, alma de blues e a melhor pegada pop.

Para competir com esses gigantes nas ondas da AM nos anos 70, só mesmo o nosso Cassiano, que com seu toque de brasilidade (herança dos tempos do grupo vocal Diagonais, em que fazia Motown a partir de Ary Barroso, Herivelto Martins e Altamiro Carrilho), estabeleceu o paradigma para as gerações posteriores – de Carlos Dafé e Cláudio Zoli a Ed Motta e a turma toda da Trama.

Cassiano (Genival Cassiano dos Santos) nasceu em Campina Grande/PB em 16/9/1943. Aos seis anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde aprendeu as primeiras
noções de violão e bandolim com o pai.

Trabalhou como ajudante de pedreiro.

Iniciou a carreira em 1964, tocando violão no Bossa Trio, com seu irmão Camarão, Hyldon e Amaro, que daria origem ao grupo vocal Os Diagonais, com o qual gravou alguns compactos e o LP Cada um na sua (1971, RCA).

Influenciado tanto pela soul-music norte-americana de Otis Redding e Stevie Wonder como pelo samba-canção de Lupicínio Rodrigues, foi um dos precursores do gênero soul no Brasil, grupo com o qual viajou por cidades mineiras e baianas.

Em 1969, o grupo gravou pela Epic/CBS alguns compactos e um único LP "Cada um na sua", no ano de 1971, no qual o grupo incluiu "Não dá pra entender" e "Clarimunda", as duas de sua autoria.

Tornou-se conhecido em 1970, quando Tim Maia gravou suas composições Primavera (Vai chuva) e Eu amo você (ambas com Sílvio Rochael) em seu primeiro LP, que teve participação de Cassiano na guitarra.

Ao lado de Tim Maia, Carlos Dafé, Banda Black Rio, Gérson King Combo e Hyldon, foi um dos precursores da soul music no Brasil.

Influenciado tanto pela música negra norte-americana, particularmente Stevie Wonder e Ottis Redding, quanto por Lupicínio Rodrigues. Devido ao comportamento controverso, assim como o do amigo Tim Maia, ambos se auto-intitulavam músicos doidões.

Tocou ao longo da década de 1960 na noite do Rio e de São Paulo. Só viria a se tornar conhecido em 1970, quando participou como guitarrista no primeiro disco de Tim Maia, que gravou duas composições suas em parceria com Sílvio Rochael "Eu amo você" e "Primavera", que logo se tornaram sucessos naquele ano.

Em 1971, lançou pela RCA Victor seu primeiro LP solo "Imagem e som". Neste LP, interpretou "Ela mandou esperar" e "Tenho dito", ambas em parceria com Tim Maia, e ainda "Primavera" (c/ Silvio Rochael) e "Uma lágrima".

No ano de 1973, pela gravadora Odeon, lançou "Apresentamos o nosso Cassiano", disco no qual interpretou dez composições de sua autoria, entre elas "Cedo ou tarde" (c/ Suzana), "Me chame atenção" (c/ Renato Britto) e "Castiçal".

Como cantor e intérprete, fez sucesso em 1976 com "A lua e eu" (c/ Paulo Zdanowski), tema da novela "O grito", da Rede Globo, gravada no LP "Cuban soul".

No ano seguinte, obteve novamente notoriedade com a música "Coleção" (c/ Paulo Zdanowski), incluída na trilha sonora da novela "Loco-motivas", também da Globo.

No ano de 1978, logo depois de ser dispensado de sua última gravadora, a PolyGram, em 1979, o compositor contraiu tuberculose e perdeu parte do pulmão, tendo que retirar um pulmão, foi obrigado a abandonar a carreira de intérprete, porém prosseguiu compondo.

Entre seus sucessos, destacam-se "Mister Samba", gravado por Alcione, e "Morena", por Gilberto Gil.

Em 1988, Cláudio Zoli gravou "Não dá pra entender" (c/ Cláudio Zoli e Ronaldo Santos).

No ano de 1991, participou do songbook de Noel Rosa, editado pela Lumiar, e lançou o disco "Cedo ou tarde", que contou com as participações de Ed Motta, Djavan, Marisa Monte, Luiz Melodia, Sandra de Sá, Karla Sabat e Cláudio Zoli e da banda Dancing Club, formada por ele na guitarra, Silvio da Costa na bateria, Jomar no baixo, Cássia Maria no piano e Júlio Gamarra na percussão.

Nesse LP, além de sucessos antigos regravados, constam também novas composições, com destaque para "Know-how".

Em 1998, foi lançada pela gravadora Universal a coletânea "Velhos camaradas" (Cassiano, Tim Maia e Hyldon), disco que reuniu alguns sucessos de cada um dos artistas.

No ano seguinte, sua composição "Férias", parceria com Índio, deu título ao disco de Cláudio Zoli lançado pela gravadora Trama.

No ano 2000, pela gravadara Dubas Música, foi lançada a coletânea "Coleções", com várias composições de sua autoria.

No ano seguinte, em comemoração aos 100 anos da RCA, a empresa relançou em CD parte de seu acervo, no qual estão incluídos os LPs "Imagem e som" e "Cuban soul".

A gravadora Dubas Música, do compositor Ronaldo Bastos, convidou Ed Motta para organizar uma nova coletânea de suas composições.

Os Racionais MC's o convidaram para participar do novo disco dos rappers paulistas, e a banda carioca Clave de Soul, em seu primeiro CD, "Dançar é bom", interpretou de sua autoria "Tá dando mole".

Entre suas intérpretes está Nana Caymmi que regravou "Primavera" (c/ Silvio Rochael).

Três discos, que estão fora de catálogo há vinte anos, serviram de matéria-prima para o CD Coleção, compilado pelo cantor Ed Motta. Desprezados pelas gravadoras que os lançaram anteriormente, eles são disputados a tapa em sebos.

A primeira e mais bem cuidada coletânea que se poderia ter desse mestre que nunca se conformou com a mentalidade mercantilista das grandes gravadoras. Numa embalagem digna e sedutora, com bela capa, letras, fichas técnicas e texto crítico-informativo (tem até uma apresentação em inglês), o músico reuniu faixas remasterizadas dos três discos fundamentais de Cassiano: Imagem e Som (1971, RCA), Apresentamos Nosso Cassiano (1973, Odeon) e sua obra-prima, Cuban Soul (1976, Polydor).

Os dois maiores sucessos do cantor, compositor e multinstrumentista (atividades que desempenha com a mesma desenvoltura) dizem presente: as baladas Coleção ("Sei que você gosta de brincar de amores/ Mas oh, comigo não!"), com sua construção harmônica das mais impressionantes e vocais celestiais, e A Lua e Eu, que está impressa nas mentes de todos que viveram os good times, das noites frias embaladas por radinhos de pilha.

Quem chega agora à obra de Cassiano irá se surpreender nesta coletânea com canções como Salve Essa Flor e Ana, gemas lapidadas que tiram da lama essa tão instituição tão banalizada que é a balada soul. São músicas imortais, tanto quanto a própria Primavera, com que Cassiano ajudou Tim Maia a começar sua carreira.

As músicas lentas são maioria nessa coletânea, mas não faltam bons balanços funk, como De Bar em Bar (que consegue ter uma estrutura intrincada sem perder o embalo) e Saia Dessa Fossa, que encerra o disco fazendo um convite impossível de se resistir.

Interessante em Coleção é conferir faixas do Imagem, o primeiro e raro disco de Cassiano, em que ele ainda tinha um padrão sonoro Motown anos 60, com uns vocais femininos meio Supremes e batida soul mais dançante. Mesmo assim, nas faixas É Isso Aí e Já, percebe-se claramente a evolução harmônica que ele imprimia ao gênero (simultaneamente ao que faria Marvin Gaye com o disco What’s Going On).

As surpresas se repetem a cada faixa. "Melissa", com violão e uma orquestra ricamente arranjada, é uma das mais belas músicas que um pai fez para uma filha.

"Hoje é Natal", com seu primor de arranjo, harmonia e vocais, absolve todos os cantores brasileiros do crime dos discos natalinos.

"Uma Lágrima" revela, na entonação, a infiltração bossa nova no trabalho do soulman. E "Casa de Pedra" traz psicodelia num alto nível de arrojo, mas sem cair na chatice dos progressivos.

E pensar que isso é só uma parte da obra do paraibano de Campina Grande... De qualquer forma, Cassiano é o rei.
Cassiano pertence à classe dos "penitentes do espírito" –expressão cunhada pelo crítico americano Bill Flanagan para definir os artistas que criam pérolas de suas experiências pessoais, sem nenhuma mediação.

A canção "A Lua e Eu", por exemplo, foi composta em 1973 depois de uma tremenda "fossa" causada pelo fim de um casamento. Outros clássicos do músico são "Primavera" e "Eu Amo Você", dois dos maiores sucessos da carreira do cantor Tim Maia.

Eles se conheceram nos anos 60, quando tentavam arranjar emprego numa agência especializada em exportar shows de mulatas.

Até a morte de Tim, em 1998, a amizade teve altos e baixos. Tim respeitava Cassiano a ponto de se recusar a cantar na frente dele – tinha medo de falhar e ser corrigido.

Por outro lado, 'passou a perna no amigo' em algumas ocasiões. Vários de seus discos têm a participação de Cassiano, que não ganhava nada por isso. "O Tim dizia que eu não me vendia por dinheiro e aproveitava para não me pagar", lembra o músico.

Cassiano mora num modesto apartamento no bairro carioca do Flamengo e vive dos direitos autorais de suas canções; e nunca se gravou tanto Cassiano. O grupo de pagode Pixote recriou o hit "A Lua e Eu"; a cantora Ivete Sangalo incluiu a música "Postal" em seu CD.

O cantor Cassiano sonha com uma volta aos discos, mesmo sabendo que é difícil competir com o pagode e a axé music. "A soul music é muito sofisticada para os dias de hoje", diz Cassiano.