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sábado, 6 de agosto de 2011

Zé Ramalho canta Beatles

Programado de chegar às lojas na próxima semana, o disco Zé Ramalho Canta Beatles é o quinto tributo que o paraibano apresta aos seus heróis. Após Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Bob Dylan e Jackson do Pandeiro, Canta Beatles traz 16 faixas produzidas pelo próprio Zé com direção musical e programações do seu fiel escudeiro Dodô de Moraes. A capa faz homenagem ao disco With the Beatles, segundo disco do quarteto, lançado em 1963. No lugar do rosto dos ingleses, é o próprio Zé quem aparece quatro vezes. A ideia da capa foi do próprio cantor e foi finalizada pela designer Bady Cartier. O tributo vai ser lançado pelo selo Discobertas, de Marcelo Fróes. Foi pelo mesmo, inclusive, selo que o cantor lançou Canta Jackson do Pandeiro, Canta Luiz Gonzaga e a coletânea Zé Ramalho da Paraíba. Esta última tem um sabor especial para os fãs por conta do seu valor histórico. Ao longo de 23 faixas do disco duplo, pode-se encontrar as primeiras gravações do cantor de voz agreste quando ainda atendia pelo nome de Zé Ramalho da Paraíba. A mistura de rock, blues, psicodelia com os sons nordestinos fazem o tom de canções como Jacarepaguá Blues e Falido transatlantico. Entre as preciosidades ali contidas estão faixas ao vivo e em estúdio, muitas delas até então inéditas em CD. Os destaques ficam para O Astronauta, de Helena dos Santos e Édson Ribeiro, lançada por Roberto Carlos em 1970. Há ainda interpretações embrionárias de Avohai, Jardim das Acácias e Dança das Borboletas. Passeando pela ficha técnica é possível ainda ver a presença dos músicos da lendária banda pernambucana de rock psicodélico Ave Sangria. Ou seja, para os fãs da garimpagem musical e de Zé Ramalho, vale à pena conhecer este disco.

sábado, 11 de junho de 2011

Antônio Barros e Cecéu: 40 anos de parceria afetiva e musical

Quando Antonio Barros e Cecéu se encontraram em 1971, desde então formaram uma parceria no trabalho musical e no amor. Passaram a compor juntos e se tornaram um casal de sucesso. Levantando a bandeira de uma forte expressão artística no companheirismo do dia-a-dia, essa dupla se transformou num paradigma da cultura popular brasileira, pois nesse decorrer são mais de setecentas obras gravadas pela maioria dos intérpretes brasileiros, alcançando popularidade até no exterior onde também suas músicas foram gravadas na Itália, Espanha, Portugal e Israel.


Raras são as pessoas que nunca ouviram as composições de Antônio Barros, incluindo aquelas feitas em parceria com a esposa, Cecéu. A dupla é referência na hora de animar um arrasta-pé e de incentivar naturalmente a participação do público, que sempre canta junto com o casal. São mais de 700 músicas e 134 regravações de 1971 a 1995, constituindo um rico acervo de clássicos nordestinos, já consagrados nacional e internacionalmente, na voz de diversos intérpretes.

Como diz Cecéu, o repertório passa pela tradição nordestina. "Bate coração", "É proibido cochilar", "Homem com H". “São clássicos bastante conhecidos. E isso é o que realmente nos satisfaz, quando vemos o público cantando todas as músicas que são de raiz nordestina”, afirmou.

Homem Com H, Por Debaixo Dos Panos, Bate Boração, como também as famosas Procurando Tu, Casamento Da Maria, Sou O Estopim, Amor Com Café, Forró Do Poeirão, Forró Do Xenhenhém, Óia Eu Aqui De Novo; são algumas das canções que fazem parte do acervo de músicas autorais dessa dupla e gravadas por expressivos nomes da MPB como Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Dominguinhos, Gilberto Gil, Alcione, Ivete Sangalo, Fagner, Gal Costa, MPB-4 e os saudosos Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Marinês.


Antônio Barros tem muitas histórias para contar, que se confundem com o próprio caminho traçado pela música popular brasileira. Nos anos 1960, ele morou no Rio de Janeiro. Na época, tocou triângulo no regional de Luiz Gonzaga e também chegou a morar na casa do ‘Rei do Baião’, na Ilha do Governador.

Em 1970, numa das viagens no navio de cruzeiro "Ana Neri" pelo litoral brasileiro, onde Antônio Barros trabalhava como contrabaixista, nasceu o sucesso "Procurando tu". A música foi gravada pelo Trio Nordestino e, depois de Antônio Barros aceitar a parceria de J. Luna – disc-jóquei baiano que ajudou a divulgar a canção no Nordeste – a composição fez sucesso e chegou a ser gravada por Ivon Curi e até Jackson do Pandeiro, entre outros músicos.

Foi também o Trio Nordestino que gravou e divulgou outras músicas de Antônio Barros, como "Corte o bolo", "Cuidado com as coisas", "É madrugada" e "Faz tempo não lhe vejo". No ano de 1974, "Vou ver Luiza", que é uma parceria com Lindolfo Barbosa, foi gravada por Bastinho Calixto, pela gravadora EMI.

O grupo "Os Três do Nordeste", por sua vez, gravou composições de Antônio Barros. O trio lançou sucessos como "É proibido cochilar", "Forró do poeirão", "Forró de tamanco" e "Homem com H". Essa última foi composta para a novela "O bem amado". No início da década de 80, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha gravaram "Estrela de ouro", enquanto "Quebra pote" foi entregue ao Trio Mossoró, e saiu pela gravadora Copacabana.


Na mesma década, Ney Matogrosso gravava "Homem com H", que se tornou um dos grandes sucessos da época. Também é nesse período que Zé Piata interpretou, pela gravadora Copacabana, o forró "Procurando tu".

Em 1981, o xote "Bate coração", parceria entre Antônio Barros e a mulher Cecéu, foi gravado ao vivo por Elba Ramalho, durante o Festival de Montreux, na Suíça. No ano seguinte, a música estourou como sucesso nacional. No decorrer da década, outras composições se tornaram conhecidas na voz de diversos intérpretes, a exemplo de "É madrugada" e "Forró do quem quer" (por Dominguinhos); "Forró da maiadeira" (por Luiz Gonzaga).

Por Syusk Santos

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Genival Lacerda: 80 anos de muita "munganga"

No último dia 05 de Abril um dos maiores nomes da música nordestina completou 80 anos e ainda continua em plena atividade fazendo shows por todo o país.

Para cantar forró é preciso ter "tutano", como se diz em qualquer bate coxa pelas cidades do Nordeste e isso o cantor e compositor paraibano Genival Lacerda mostra aos 80 anos completados ao longo de 2011 que tem de sobra. Com o jeito simples, roupas floridas, chapéu e o famoso gingado com a mão na barriga, o campinense, nascido em 5 de abril de 1931, consolidou nacionalmente um estilo único regado a duplo sentido e humor, sendo um dos grandes nomes da cultura nordestina.

Em 1956 lançou pela Mocambo o seu primeiro disco interpretando o "Coco de 56" de sua autoria e João Vicente e o xaxado "Dance o xaxado" de sua autoria e Manoel Avelino. Em 1957, gravou de Antonio Barros o rojão "Dança do bombo" e o coco "Balança o coco". Em 1961 gravou de Rosil Cavalcânti a moda de roda "Noé, Noé" e o "Coco de roda". Em 1962 gravou a moda de roda "Vasante da maré" de sua autoria e Antônio Clemente e o "Coco de cajarana" de sua autoria e Jacinto Silva. No mesmo ano adaptou com Antônio Clemente o coco "Mariá" de motivo popular e compôs com Rosil Cavalcânti o coco "O delegado deu ordem". Em 1963 gravou de sua autoria e Antônio Clemente o coco "Cajueiro abalou" e o arrasta-pé "Tomaram o meu amor".



Em 1975 gravou com enorme sucesso "Severina xique-xique", que fez parte do LP "Aqui tem catimberê". Graças a essa composição de sua autoria e João Gonçalves vendeu cerca de 800 mil cópias. Em 1976 lançou pela Copacabana o LP "Vamos Mariquinha", interpretando, entre outras, "É aí que você se engana" de sua autoria e João Gonçalves, "Forró da gente" de Onildo Almeida, "Sanfoneiro alagoano" de Brito Lucena, "Eu preciso namorar" de Gordurinha e "A mulher da cocada" de sua autoria e João Gonçalves. No mesmo ano, gravou pela Polyfar, outro LP com seu nome como título, onde registrou, entre outras, "Esse coco é bom" de sua autoria e Genival Santos, "Ninguém vive sem amar" de Juarez Santiago, "Quero me casar" de Gordurinha e "Chegue mais pra cá", em parceria com Francisco Azulão. Em 1977, lançou o LP "O homem que tinha três pontinhos", no qual interpretou de Cecéu e Graça Góis "Gente quase boa", "Mamã" e "Segure a cabra" e de sua autoria e Luiz Santa Fé "O homem que tinha três pontinhos" e "Sacolejando". Em 1985 lançou pela RCA o LP "Caldinho de mocotó".

Em 1987 gravou com grande sucesso o LP "A fubica dela", pela RCA com arranjos e regência de Sivuca e com a participação dos músicos Sivuca e Dominguinhos no acordeom e Coroné, integrante do Trio Nordestino na zabumba. Desse disco destacaram-se as composições "É nóis aqui forrumbando" dele e Accioly Neto, "A cobra de camelô" com João Gonçalves, "Fio dental" dele e Jorge de Altinho e "Seu amor é mesmo um doce", em parceria com Cecílio Nena. Alguns de seus maiores sucessos foram "Radinho de pilha" de Namd e Graça Góis, posteriormente regravado pelo conjunto de rock "Camisa de Vênus", "Tem pouca diferença" de Durval Vieira, que ele gravou acompanhado pelo grupo Capital do Sol e "Mate o véio, mate". Com estilo satírico e picante, em cerca de 40 anos de carreira, já havia gravado 38 LPs.



Em 1999, participou do disco "Marinês e sua gente - 50 anos de forró", cantando ao lado de Marinês o "Forró do beliscão", de Ary Monteiro, João do Vale e Leôncio. Em 2000 lançou, pela gravadora CID, o CD "Genival Lacerda ao vivo", em comemoração aos seus 50 anos de carreira, contando com as participações especiais de Dominguinhos e de Osvaldinho do Acordeom, e de Durval Pereira, no zabumba, pandeiro de triângulo, em show realizado na casa de espetáculos Coringa em São Paulo. No CD estão presentes diversos sucessos de sua carreira, entre os quais "Severina Xique Xique", "Radinho de pilha", "Mate o véio" e "Caldinho de mocotó". Em 2004, foi homenageado pelos mais de 50 anos de carreira, cantando com com a cantora Clemilda, durante o IV Fórum de Forró de Aracaju no Teatro Atheneu. Na ocasião realizou um concorrido show durante o evento.

Em 2008, fez uma turnê pelos principais centros do forró nordestino, dentre os quais Aracaju, Caruaru, João Pessoa e Juazeiro. Essa turnê deu origem, no mesmo ano, a um documentário "É tudo verdade - O Rei da Munganga". O filme, que acompanha Genival na sua mais recente viagem pelo nordeste, teve produção, roteiro e direção de Carolina Paiva, e contou com a participação especial da Orquestra Sinfônica Jovem do estado da Paraíba, que acompanhou o cantor em algumas músicas. Durante o documentário, que foi dedicado à memória de Marinez, sua ex-esposa, são tocados sucessos como "Severina Chique-Chique", do prórpio Genival Lacerda; "Maristela", de Pinto do Acordeon; e "Minha origem".


Até o final do ano, Genival que acumula mais de 23 CDs, 49 LPs e dezenas de compactos simples e duplos, deve lançar um novo disco com 18 canções de Luiz Gonzaga, uma das suas principais influências ao lado de Jackson do Pandeiro, Luiz Vanderlei e Luiz Vieira. Aos 80 anos, Genival tem dois sonhos: ver o filho, o cantor e compositor João Lacerda, com o trabalho consolidado no forró; e continuar cantando. Quem ainda nunca ouviu 'Mate o Véio', 'Galeguim do Zoio Azul', 'De quem é esse jegue?, 'Radinho de Pilha', 'O Chevette da Menina', 'Caldinho de mocotó' talvez saiba até muito, mas não sobre a cultura popular do Nordeste e um dos seus maiores ícones.
 
Por Wagner Lima

domingo, 5 de junho de 2011

Vital Farias

Nascido no interior da Paraíba, sofreu influência de cantadores e repentistas na infância. Aprendeu trompa e gaita. Aos 19 anos mudou-se para João Pessoa, onde montou uma banda ao estilo dos Beatles.

Estudou violão no conservatório local e conheceu Sivuca e Hermeto Pascoal. Em 1975 mudou-se para o Rio de Janeiro e trabalhou na peça "Gota D'Água", de Chico Buarque, como músico.

A partir de então passou a ter algumas músicas de sua autoria gravadas por intérpretes de sucesso, como Marília Barbosa, que registrou "Caso Você Case", incluída na trilha sonora da novela "Saramandaia", da TV Globo.

Teve outras músicas que fizeram sucesso na voz de outros artistas e incluídas em trilhas de novelas, como "Ai, Que Saudade D'Ocê", composta em 1982 e gravada por Fábio Jr em 1993 para a novela "Renascer".

Suas músicas têm acentuado caráter regional, de cantoria e cantiga, aliado ao forte apelo da poesia popular de cordel. Participou, ao lado de Geraldo Azevedo, Xangai e Elomar do show "Cantoria", em 1984, que resultou em um consagrado disco de mesmo nome.


Vital Farias (1978)
01. Canção de Dois Tempos
02. O Sobressalto
03. Bate com o Pé Xaxado
04. Bandeira Desfraldada
05. Via Crucis da Mulher Brasileira
06. Alice no Curral das Maravilhas
07. Deixe de Afobação
08. Expediente Interno
09. Poema Verdade
10. Caso Você Case
11. É Mãe
12. Estudo Nº 2

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Nossa homenagem ao forró: Paraíba Meu Amor...


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“Paraíba, meu amor” é um documentário de 80 minutos, produzido pelo diretor suíço Bernand Robert-Charrue para o público europeu. O filme alterna entrevistas e trechos musicais, e foi gravado nas festas do interior paraibano. Filmado quase todo na Paraíba, um dos pontos altos do filme é o encontro, de Dominguinhos e do acordeonista francês Richard Galliano. Participam também do filme o Aleijadinho de Pombal, o Trio Tamanduá, Pinto do Acordeon e Os 3 do Nordeste.


Em 2009 foi lançado, com bastante divulgação e pompa, o filme/documentário, de produção suíça, “Paraíba, meu amor”. O filme aborda com ênfase o forró. A força musical do forró nordestino. Eu, como amante e metido a colecionador dessa música maravilhosa, fui exultante ver o filme. A seguir faço minha análise crítica do documentário.

Considero a intenção do cineasta suíço muito boa. A idéia de trazer o músico francês, Richard Galliano, para o eixo central do filme foi genial e deu ao documentário, uma qualidade musical de altíssimo nível. Ouvir seu acordeon dialogar com Dominguinhos, Pinto do Acordeom e Aleijadinho de Pombal, para quem aprecia o belo som do instrumento e a doce musicalidade do forró é impossível não se emocionar. Ficou lindo.

Mas o documentário peca em vários aspectos. O primeiro, a definição simplificada e até mesmo historicamente equivocada da origem do forró. Essa história que Forró vem da expressão inglesa For All (para todos), já está ultrapassada, e não resiste ao mínimo de pesquisa histórica sobre a nossa música. Muito antes dos ingleses chegarem para construir as estradas de ferro que levaram partes de nossas riquezas, e a centenas de quilômetros dessas linhas férreas e de qualquer gringo, já se tocava e se dançava um ritmo musical muito próximo do que chamamos hoje de forró.

Nas feiras livres, nos casamentos, nas festas religiosas, nos bailes populares do interior da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, distando quilômetros de onde estava um inglês com seus trens, se experimentavam os sons dos “pifeiros” com suas flautas de “tabicas” de madeira tirando um som repetitivo, binário. O ritmo dessas “bandas de pífanos” lembra perfeitamente as festas dos nossos indígenas; a percussão, o batuque africano. Sem nenhuma ligação ou influência européia.

No início, denominavam-se a esses encontros com esse tipo de música, de Baile, ou Samba. As pessoas iam pro Samba dançar. O primeiro instrumento “estrangeiro” na música foi o “Harmônico”. Assim, as pessoas batizaram os foles que apareceram trazidos da Europa, sem teclado e sem baixos. Muito parecido com o “Bandoneón” argentino. Nesse momento os acompanhamentos naqueles bailes eram feitos por violas e/ou violões dos seresteiros e repentistas e, principalmente a Rabeca, o violino nordestino. Na realidade, os bailes aconteciam, muitas vezes, juntamente com desafios de violeiros repentistas e apresentações de rabequeiros. Essas festas eram os espaços de comemorações das populações pobres. Um fazendeiro, por hipótese nenhuma, permitia que suas filhas freqüentassem um “baile” desses. A música dançava-se ‘agarradinho’, num “bate coxa”, “rela bucho”, “esfregado”, que era sensualidade pura. Os corpos juntinhos dos casais e os decorrentes namoros e ciumeiras resultavam em muitas desavenças, provocando um verdadeiro forrobodó. Essa expressão alcunhada com certo preconceito pelos das classes dominantes servia para ‘alertar’ as damas donzelas do perigo daquelas festas, realizadas em taperas pobres, geralmente de taipas, com um reboco de barro cru, amaciado pelos pés rachados de quem vivia na dura labuta dos sertões nordestinos, cuidando do gado e das terras dos fazendeiros.

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Na música em si, tocada nesses bailes, o instrumento principal era o “Bumbo”, feito de couro de bode e estirado sobre um equipamento de madeira, preparado especialmente para receber o couro do ruminante. É importante destacar que o couro é de bode por dois motivos básicos. Primeiro, a criação da população sertaneja pobre era, além de galinha e porco, o bode. O bode era criado, na maioria das vezes, clandestino, nas terras dos fazendeiros. Clandestino porque o bode come de tudo e não respeita as cercas, nem as demarcações cartoriais, muitas resultados de grilagem. Segundo, o couro do bode é mais fino, porém bastante resistente, permitindo tirar um som mais forte e diversificado. O instrumento básico para “tirar o som” era um pau grosso e seco, podendo ser Jucá ou Pereiro, com uma extremidade enrolada em panos, para o som mais agudo. Do outro lado do Bumbo, usava-se uma varinha de marmeleiro meio verde, ainda flexível, para o som mais grave. Isso era o essencial para o baile. Claro que se tivesse uma banda de pífano, uma rabeca, uma viola ou um violão, o baile ficaria mais animado. O “Harmônico” aparece pelo interior nordestino, em meados do século XIX, mas não conseguiu se popularizar. Quem se popularizou foi o “fole de oito baixos”.

Esse reproduzia o som frenético dos pifeiros, substituía a rabeca e conseguia acompanhar o ritmo da dança do “rela bucho”, arrastando os pés no chão batido dos terreiros sertanejos. Com o fole de oito baixos surge o forró como o conhecemos hoje. O que há de impressionante é que esse ritmo surge com grande diversidade em todo interior nordestino. Nos brejos, sopés e altos das serras. Nas “panhas” de algodão, entre os tangerinos de gado, no pastoreio dos caprinos, nos mutirões dos tropeiros, nos aboios saudosos das pegas de boi; depois das novenas, nas “quermesses”.

Em toda parte a massa popular dança, canta e brinca nos diversos ritmos que compõem o hoje chamado forró. O Baião, o Samba Nordestino, o Arrasta-pé ou Marcha, o Forró, o Xote, o Calango Mineiro, a Toada, o Lamento Sertanejo, etc., são todos ritmos sob o guarda chuva do chamado Forró. É importante salientar que, o Forró surge apenas como música instrumental, sem letras. Era comum colocar-se a música numa daquelas histórias ou crônicas dos folhetos de cordéis. A Asa Branca foi um desses casos. As letras da música de forró são, inicialmente, na realidade, crônicas do sertão nordestino, da vida rural do semi-árido.

Depois, tornam-se também, narrativas de uma vida semi-urbana e semi-rural. O Forró chegou às cidades do interior sertanejo, nas maiores e menores, preferencialmente nas periferias, ou melhor, nos cabarés, nas “casas de socorros” da matutada. No início do século XX e até pouco tempo perdurava, nas maiores cidades do interior nordestino, como Campina Grande, Caruaru, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Mossoró, etc., nas feiras livres, mesmo durante o dia, os “cabarés de feiras”, estes ficavam apinhados de “matutos” em busca de “relas buchos”, de “esfregado”, de “bate-coxas”. Ao som do Zabumba misturavam-se os gritos dos feirantes e dos dançarinos. O preconceito contra os forrós era enorme. Era coisa de pobres, matutos e prostitutas.

Essa riqueza melódica só ganhou notoriedade nacional com Luiz Gonzaga, na década de 1940, mesmo assim, com toda carga de preconceitos conhecidos, característicos dessa sociedade classista e racista brasileira. Um negro mulato, pobre, “nortista” muda a história do forró e da música brasileira. Primeiro o Rio de Janeiro pára pra ouvir aquele ritmo. Na época do impulso da indústria fonográfica foi rápido sair do Rio e conquistar o Brasil.

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Quando Gonzaga, em 1941, desistiu de tentar, com sua sanfona Todeschini, imitar os sons dos acordeons europeus, tocando valsas, polcas, ou os sucessos internacionais da época, como os boleros cubanos, as músicas americanas; e procurou imitar com uma sanfona de 80 baixos, um legítimo forró das bandas da Chapada do Araripe (divisa do Ceará, Pernambuco e Piauí), tocado por um fole de 8 baixos, explodiu. As primeiras músicas que Gonzaga conseguiu gravar: “Vira e mexe” e “Pé de Serra”, de 1941, é negócio de louco. É o Sertão em forma de som. Qualquer um que conhece o nosso Sertão e ouvir aquilo sente a alma nordestina brotando naqueles acordes. Dali em diante o Forró chegou a todos os recantos. Gonzaga foi transformado, com justiça, no ícone, na referência, disso tudo.

O Brasil passa a se interessar pelo Brasil de dentro, de suas entranhas, de seus sertões, do seu Nordeste. Nesse aspecto a música de forró é a expressão mais fiel do modernismo brasileiro, de buscar sua essência, de procurar entendê-lo em sua alma, de exibir nossas contradições. O forró gonzagueano é isso. É a contradição viva de nossa vida. É a crônica melódica de nosso cotidiano. Numa sociedade de classes como a nossa, lógico, a música como todo movimento cultural, é apropriada por interesses da classe dominante, Gonzaga e o forró foram.

Só muito tarde o ritmo ganhou os salões da elite econômica nacional, pois esta torcia o nariz para a cultura popular brasileira e buscava ser européia em seu consumo, embora se mantivesse servil e escravocrata em seu comportamento social. O forró conquistou também a elite intelectual. No final dos anos 40 depois da Asa Branca, gravada em 1947, e início dos 50, Luiz Gonzaga tornou-se a maior estrela da música popular brasileira, bateu todos os recordes de venda de disco e o “Baião” passou a ser ritmo de “doutor”, como dizia Gonzaga em suas apresentações. “Até Tom Jobim gravou Baião”.

O Forró também virou mercadoria e um negócio dos bons. O sucesso era tanto que Pedro Sertanejo criou uma gravadora, a “Cantagalo”, exclusiva para forrozeiros nordestinos que, na onda de Gonzaga conquistaram o Rio e o Brasil. Outras gravadoras entraram no mercado e o Forró explodia como sucesso no país todo, mas continuava o mesmo nas salas de reboco e nos terreiros das fazendas nordestinas. Gonzaga define o trio sanfona, zabumba e triângulo, como a base da síncope do forró, embora que nas latadas, nas salas de reboco dos sertões sempre estão juntos ao Trio, o pandeiro e o violão. E nas gravações, o próprio Gonzaga incrementava com violões e depois com a bateria. A essência, o dominante desde Gonzaga, era a sanfona.

No pipocar do sucesso nacional do Forró, grandes artistas puderam ser conhecidos. Verdadeiros gênios, mestres da sanfona, no fole de oito baixos. Poetas magistrais do sertão nordestino afloraram. O Forró ganhou palco, ganhou cidades. Campina Grande e Caruaru, desde os anos de 1960 disputam quem é a capital do forró. Agora entrou na briga Aracaju, mas hoje, em função de turismo, apenas de negócios de caráter econômico. A música em si sofreu tremenda agressão nessa lógica puramente mercadológica e vulgar que domina a mídia e as emissoras de rádio nos dias de hoje.

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Porém, a música de forró com seu ritmo, utilizando-se de equipamentos modernos, de novos instrumentos para enriquecer o ritmo e toda sua beleza melódica continua viva e forte entre as massas populares e as pessoas que estão livres dessa massificação da vulgaridade conduzida apenas por interesses econômicos. O Forró de verdade, jamais morrerá. Enquanto existir Sertão, Nordeste e pessoas lúcidas, de bom gosto, a música de forró continuará sendo renovada e enriquecida.

O filme “Paraíba, meu amor” é, portanto, na minha modéstia opinião, nesse aspecto: superficial, raso. Continua faltando um documentário a altura do forró. Não posso imaginar uma abordagem do forró na atualidade sem uma recorrida geral pelos principais nomes dessa música. Do passado e do presente.

Como fazer um documentário sobre o Forró sem ouvir Geraldo Correia e Zé Calixto, que estão vivíssimos e foram junto com Jackson do Pandeiro, os maiores nomes do forró paraibano. Segundo Dominguinhos, Geraldo Correia é o maior tocador de fole que ele conheceu em todos os tempos. Pois é, o documentário sequer os cita, quanto mais entrevistá-los, apresentá-los, etc. E Abdias, Marinês, Messias Holanda, Zé Catraca, Elino Julião, João Gonçalves, o grande Zito Borborema, Anastácia, Genival Lacerda e uma gama de astros do Forró que atuaram ou atuam, viveram ou vivem na Paraíba e sequer foram mencionados?! E os grandes dos 8 baixos, para citar alguns: Gerson Filho, Severino Januário, Pedro Sertanejo? E o Trio Nordestino? Depois de Gonzaga, quem mais vendeu disco de Forró no Brasil. E os grandes compositores como Zedantas, Humberto Teixeira, Zé Marcolino, Rosil Cavalcanti, João Silva e o grande e genial Antônio Barros? Uma penca de autores de altíssimo nível que simplesmente não existem no documentário.

Infelizmente, a lista de ausência é inúmeras vezes maior do que a dos presentes. No entanto, alguns que representam muito nessa história não poderiam estar ausentes. Como falar de Forró sem ouvir as posições de Biliu de Campina, o nosso antropólogo do Forró. Fonte de qualquer pesquisa séria nessa área. Como falar de forró na atualidade e não ouvir Flávio José? E Santana? Como falar de “Paraíba, meu amor”, abordar o tema Forró e sequer mencionar Sivuca? Não! É incompreensível.

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O roteiro do documentário parece ter sido de Chico César, de quem gosto muito e aprecio bastante sua música, porém, demonstrou entender pouco de forró. Aliás, Chico César diz um monte de coisas erradas no filme. A começar pela origem do forró. Demonstra ter lido pouco sobre Gonzaga. A música “Paraíba”, de Gonzaga e Humberto Teixeira, feita por encomenda para a campanha de Argemiro de Figueiredo e Pereira Lira em 1950, não tem como centro a mulher paraibana, como cita Chico César no documentário, mas o estado da Paraíba.

Quem leu, viu e ouviu Gonzaga sabe disso. O que “encafifava”, termo gonzagueano, os poetas naquela época era essa coisa da Paraíba ser nome de um estado, em decorrência de um rio, mas todos chamá-la no feminino, ao contrário dos demais estados brasileiros que carregam nomes de rios, que tem a terminação no feminino, mas são estados masculinos, como Paraná, Pará, Amazonas, etc. Além disso, queriam homenagear a participação da Paraíba no Movimento de 30. Ora, a Paraíba, pequenina, mudara a história do Brasil, com sua participação decisiva na “Revolução”. Zé Pereira, o Coronel de Princesa, havia sido derrotado, mas seu sobrinho, Pereira Lira estava agora pleiteando uma vaga no Senado Federal, daí o “eita pau Pereira que em Princesa já roncou, eita Paraíba teu bodoque não quebrou”. Nos shows de Gonzaga na Paraíba ele contava a história da música, proseava, falava do lançamento da música em Campina Grande, na Praça da Bandeira, do tiroteio, das mortes e da campanha de Argemiro.

Brincava com a Paraíba. No livro de Dominique Dreyfus, “A Vida do Viajante”, a autora descreve a historia e mostra o duplo sentido da música, com o estado e com a coragem da mulher paraibana. Chico César não entendeu assim.

Considero que o filme forçou a barra para mostrar o Trio Tamanduá na fazenda Tamanduá do suíço Pierre, em Santa Terezinha, vizinho a Patos. Talvez por questão de patrocínio ou proximidade étnica (???!!!!)

Os aspectos a destacar do filme são as participações maravilhosas de Pinto do Acordeon, Aleijadinho de Pombal, Dominguinhos e o magnífico som de Richard Galliano, além da bela fotografia. A participação de “Os três do Nordeste” é ridícula para a obra gigantesca desse excelente grupo musical. O aspecto da dança de forró também deixa a desejar. Enfim, a idéia foi muito boa mas, como disse no início, está muito aquém de nossa música. O “Viva São João” de Andrucha/Conspiração e Gilberto Gil é superior.

Desculpem a chatice, mas nesses tempos pueris é preciso.

Jonas Duarte, apaixonado por forró. O de verdade, não essa porcaria que comercializam vilmente contra nossos jovens.
Professor doutor do Departamento de História da UFPB, em João Pessoa - PB.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Zé Ramalho (re)encontra Luiz Gonzaga

Depois de um ótimo tributo a um dos grandes pilares do rock - Bob Dylan -, Zé Ramalho se volta às suas origens regionais no seu segundo lançamento em menos de um ano. No embalo do São João, Zé Ramalho lança um disco junino, mas baseado em um projeto todo peculiar. Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga (Sony-BMG, R$ 23, em média), que acaba de chegar às lojas, compila 12 faixas gravadas pelo paraibano nos últimos 20 anos.

Não tem mistério: o CD reúne músicas de Luiz Gonzaga, gravadas por Zé Ramalho e lançadas em discos como Brasil Nordeste (1991) e Nação Nordestina (2000). Mas a escolha do repertório não foi ao acaso. Por trás da seleção está o jornalista e pesquisador Marcelo Fróes, que tocou o processo de garimpagem para o seu selo, Discobertas, com o carinho de um tributo aos 20 anos de morte do Rei do Baião.

Como pesquisador, Marcelo tem recuperado, em primorosas edições em CD, parte do cancioneiro esquecido da nossa MPB. Entre seus feitos, inclua-se um trabalho anterior de Zé Ramalho, o álbum Zé Ramalho da Paraíba, O Trovador Solitário, de Renato Russo, e Chiclete Com Banana, compilação lançada no ano passado, com as gravações que Jackson do Pandeiro fez na antiga Columbia, entre 1958 e 1960.

O repertório de Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga resgata grandes sucessos do velho Lua, como “Asa Branca” (que se repete no medley “Baião/ Imbalança/ Asa Branca”), “Paraíba” (que aparece duas vezes, sozinha e junto com “Boiadeiro”) e a dobradinha “Olha pro Céu/ São João da Roça”, gravada ao vivo em Campina Grande para a coletânea O Melhor do Forró no Maior São João do Mundo, lançada em 2000 pela BMG.

Em meio às canções que vai fazer você e sua família dançarem quadrilha na sala de estar, o CD recupera quatro duetos: dois com Dominguinhos, um na divertida “Não vendo, nem troco” e outro em “Pau de arara”; com Xuxa em “ABC do Sertão” e com o próprio Luiz Gonzaga em “Fica mal com Deus”, incluída no álbum Duetos, lançado em 2004.

Além disso, Zé foi ao estúdio registrar uma versão inédita para “Amanhã eu vou”, que abre o disco. A faixa, creditada a Gonzagão e Beduíno, data de 1951 (lançada por Elba Ramalho em 1981) e foi gravada em apenas três horas. “Zé Ramalho e seus músicos de fé gravaram esta pérola e mostraram como pode ser prazeroso gravar como nos velhos tempos”, comenta o próprio Marcelo Fróes.

“O repertório de Lua na voz de Zé Ramalho parece um disco conceitual bem produzido. E, por isso, nada melhor que completar as 12 faixas, como em um bom e velho LP, com uma gravação atual e inédita”, indica o jornalista.

Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga é o terceiro título da série ‘Zé Ramalho Canta’. Começou lá atrás com Zé Ramalho Canta Raul Seixas (Sony-BMG, 2001) e passa por Zé Ramalho Canta Bob Dylan (EMI, 2008). Para o novo projeto, Zé Ramalho posou com chapéu de cangaceiro e, pela primeira vez, aparece sorrindo em uma capa de disco.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Conheça a história de Zabé da Loca


No ano passado, o Globo Rural conheceu uma das personagens incríveis que o Brasil produz: Zabé da Loca, uma mulher que toca pífano, a flauta típica do Nordeste. No vídeo acima, conheça mais um pouco dessa história. A história de vida de Zabé da Loca.

sábado, 16 de abril de 2011

Sex On The Beach: o novo som do rock paraibano...


A Sex On The Beach é uma banda da nova safra do rock paraibano e do surf music nacional.
Talentosa, precisa e bem humorada, a Sex on the Beach trouxe, no seu primeiro disco, canções, como o próprio nome da banda sugere, com nomes de drinks.
Formada pelos músicos Marlo Simaskowsk (baixo), DiogoRocha (guitarra) e Tonny Lira (bateria), a banda é uma ótima surpresa dentro do cenário da surf music nacional.
Pouco conhecida ainda no cenário musical regional e nacional seus primeiros shows foram no início do ano no Estação Nordeste (João Pessoa), abrindo o show do francês Manu Chao. Os que se seguiram foram na programação do Centro Cultural Banco do Nordeste, Sousa e Nazarezinho.
Em seu pouco tempo de existência, a banda já tocou em diversos eventos e locais importantes do país. Destacamos a Feira da Música de Fortaleza 2010 (Fortal), Encontro da Nova Consciência (Campina Grande-PB), Festival Maionese (Maceió-AL), Centro Cultural BNB (Fortaleza-CE), Grito Rock Recife (Recife-PE), Festival Martelada (Brasília-DF), Festival Bananada (Goiânia-GO), Festival DOSOL 2010 (Natal-RN), Festival Mundo 2010 (João Pessoa-PB) 1º WCG Aberto de Surf de Campina Grande (Festival de Surf Music - Campina Grande-PB), Noite Fora do Eixo (Uberlândia-MG), Invasão Paraibana (Belo Horizonte-MG), Quina Cultural (Salvador-BA), Casa da Ribeira (Natal-RN), Rock João Pessoa (João Pessoa-PB), Grito Rock Maceió (Maceió-AL), NDesign 2009 (Olinda- PE), dentre outros.
Confira um pouco mais da banda em vídeo realese abaixo:

sábado, 9 de abril de 2011

A Musicalidade Regional de Sandra Belê


Com o propósito de valorizar nossa boa música regional e brasileira, o Acervo Musical destaca a cantora paraibana Sandra Belê.  Com dissemos por aqui, essa menina é arretada de boa... é tudo de bom que ultimamente surgiu na musicalidade paraibana, nordestina e brasileira. Verdadeiramente ela veio enriquecer nosso cancioneiro popular como também nossa cultura. Além ser dona de uma voz maravilhosa, dança com trejeitos próprios de uma forma que nos faz sentir muito mais a mensagem musical.

Com certeza logo, logo o Brasil conhecerá essa magnífica artista paraibana e todos irão se apaixonar, pois o que é bom é assim: amor a primeira vista. Então vamos conhecer um pouco mais dessa artista genuinamente paraibana.

Entre os anos de 2004 e 2005 Sandra Belê gravou o Cd Nordeste Valente, o primeiro de sua carreira. Um ano depois se encontrava na cidade de Taperoá, cariri paraibano, onde participou como atriz-cantora das gravações da minissérie global A Pedra do Reino, do escritor Ariano Suassuna. Com o Cd Nordeste Valente ela participou da coletânea de músicas da Pedra do Reino, organizada pela Som Livre e da coletânea do Projeto Esquina Brasil, organizada pelo SEBRAE, entre outros. Tem estado presente no mercado cultural da cidade do Recife, Campina Grande, João Pessoa e na região do Cariri Paraibano, através de eventos populares e institucionais. No ano de 2008 Sandra Belê participou do projeto Sete Notas do Sesc Centro de Campina Grande, interpretando o compositor cajazeirense chamado Zé do Norte , surgindo assim o show “Sandra Belê canta Zé do Norte. No mês de agosto, também no projeto Sete Notas a cantora realizou o show “João do Vale - O Poeta do Povo”.

No ano de 2009 lançou o CD intitulado “SE INCOMODE NÃO”, que apresenta o universo romântico do povo nordestino através dos ritmos do xote, arrasta-pé, xaxado, baião e forró, repleto de músicas para dançar, como as tradicionalmente presentes nos repertórios de Luiz Gonzaga, Alcimar Monteiro, Trio Nordestino, Marinês, Gordurinha, Três do Nordeste, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro e também no repertório dos novos intérpretes e compositores nordestinos como Marrom Brasileiro, Ranjel Júnior, Carlos Zens, Ilmar Cavalcante, Antônio Costa, Xico Bezerra e muitos outros.

Entre os anos de 2010 e 2011, a cantora gravou seu terceiro CD, intitulado “Encarnado Azul”, onde o mesmo está saindo da fábrica trazendo lembranças de pastoris ao som de violão, sanfona, bateria, trompete, percussões de efeito, viola, cavaquinho, vocais e um show de contemporaneidade.

“A vivência com reisados, pastoris, aboios, benditos, romances e forrós proporciona a Sandra Belê uma interpretação singular, da qual surge a forte identidade que carrega na voz quando interpreta as encantadoras obras do cancioneiro nordestino. Zabelê, cidade do Cariri paraibano, foi seu berço de ouro, lá nasceu, cresceu e aprendeu a admirar as paisagens, os cheiros e os sons duma terra árida, porém fértil para as mais variadas formas de sobrevivência.”

Conheça um pouco mais dessa nossa artista, em entrevista ao jornalista Saulo Queiroz.
 

domingo, 3 de abril de 2011

Rieg - Música experimental de primeira


Por entre ruídos eletrônicos e ambiente lo-fi, folk, trip-hop e funk encontram o indie experimental no primeiro disco single lançado por Rieg gravado e mixado no Studio Mutuca em João Pessoa e masterizado por Pete Norman do Finyl Tweek na Inglaterra. No início de 2010, o grupo entrou em estúdio para compor e após terminar as gravações em outubro a banda fez o seu show de estreia em novembro no Festival Mundo 2010 e o lançamento do disco em janeiro na Casa de Cultura Cia. Da Terra no Centro Histórico de João Pessoa, obtendo uma ótima repercussão do público e visibilidade da imprensa local. Além de ter a canção The Histrionic tocada na rádio WHUS FM de Connecticut (EUA).

A experiência e os diferentes backgrounds dos músicos que formam a banda intensificam a complexidade do som marcado pelo experimentalismo e a simplicidade pop de suas canções com letras compostas na língua inglesa e alemã, trabalho do vocalista norte-americano alemão Rieg Rodig. O single Postmodern Funkatron, seguido pelo trip-hop The Histrionic e o pop Runaway, demonstram a vontade do grupo em buscar novas possibilidades passando pelos scratchs nas cordas da guitarra, ao som do órgão, sintetizadores, baixo, bateria e instrumentos acústicos.


Por Mônica Ramalho