sexta-feira, 29 de abril de 2011

Zé Ramalho (re)encontra Luiz Gonzaga

Depois de um ótimo tributo a um dos grandes pilares do rock - Bob Dylan -, Zé Ramalho se volta às suas origens regionais no seu segundo lançamento em menos de um ano. No embalo do São João, Zé Ramalho lança um disco junino, mas baseado em um projeto todo peculiar. Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga (Sony-BMG, R$ 23, em média), que acaba de chegar às lojas, compila 12 faixas gravadas pelo paraibano nos últimos 20 anos.

Não tem mistério: o CD reúne músicas de Luiz Gonzaga, gravadas por Zé Ramalho e lançadas em discos como Brasil Nordeste (1991) e Nação Nordestina (2000). Mas a escolha do repertório não foi ao acaso. Por trás da seleção está o jornalista e pesquisador Marcelo Fróes, que tocou o processo de garimpagem para o seu selo, Discobertas, com o carinho de um tributo aos 20 anos de morte do Rei do Baião.

Como pesquisador, Marcelo tem recuperado, em primorosas edições em CD, parte do cancioneiro esquecido da nossa MPB. Entre seus feitos, inclua-se um trabalho anterior de Zé Ramalho, o álbum Zé Ramalho da Paraíba, O Trovador Solitário, de Renato Russo, e Chiclete Com Banana, compilação lançada no ano passado, com as gravações que Jackson do Pandeiro fez na antiga Columbia, entre 1958 e 1960.

O repertório de Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga resgata grandes sucessos do velho Lua, como “Asa Branca” (que se repete no medley “Baião/ Imbalança/ Asa Branca”), “Paraíba” (que aparece duas vezes, sozinha e junto com “Boiadeiro”) e a dobradinha “Olha pro Céu/ São João da Roça”, gravada ao vivo em Campina Grande para a coletânea O Melhor do Forró no Maior São João do Mundo, lançada em 2000 pela BMG.

Em meio às canções que vai fazer você e sua família dançarem quadrilha na sala de estar, o CD recupera quatro duetos: dois com Dominguinhos, um na divertida “Não vendo, nem troco” e outro em “Pau de arara”; com Xuxa em “ABC do Sertão” e com o próprio Luiz Gonzaga em “Fica mal com Deus”, incluída no álbum Duetos, lançado em 2004.

Além disso, Zé foi ao estúdio registrar uma versão inédita para “Amanhã eu vou”, que abre o disco. A faixa, creditada a Gonzagão e Beduíno, data de 1951 (lançada por Elba Ramalho em 1981) e foi gravada em apenas três horas. “Zé Ramalho e seus músicos de fé gravaram esta pérola e mostraram como pode ser prazeroso gravar como nos velhos tempos”, comenta o próprio Marcelo Fróes.

“O repertório de Lua na voz de Zé Ramalho parece um disco conceitual bem produzido. E, por isso, nada melhor que completar as 12 faixas, como em um bom e velho LP, com uma gravação atual e inédita”, indica o jornalista.

Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga é o terceiro título da série ‘Zé Ramalho Canta’. Começou lá atrás com Zé Ramalho Canta Raul Seixas (Sony-BMG, 2001) e passa por Zé Ramalho Canta Bob Dylan (EMI, 2008). Para o novo projeto, Zé Ramalho posou com chapéu de cangaceiro e, pela primeira vez, aparece sorrindo em uma capa de disco.


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